A chuva que começou na noite de sexta não foi torrencial, nem a esperada, mas foi localizada na lagoa de captação e em Agudos, em grande parte na cabeceira do Rio Batalha. Mesmo assim, nada muda e o DAE – Departamento de Água e Esgoto de Bauru continuará o esquema de rodízio decretado em 19 de setembro passado.
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Malavolta Jr. |
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Motoristas têm reduzido lavagem de carros em lava jato para economizar, segundo dono de posto que percebeu queda no movimento |
Ontem, logo pela manhã, o prefeito Rodrigo Agostinho constatou que o nível do rio havia subido para 1,20 metro (na noite de sexta-feira após 34mm de precipitação de chuva, já havia subido para 1,17cm) depois de uma noite inteira, de sexta para sábado, de chuva fina na maioria dos bairros da cidade. “Deu uma pequena aliviada” disse o prefeito.
Mas a assessoria do DAE informou que nova medição foi feito às 17h e havia descido a chegado a 1,09 metro, fruto já da vazão e consumo do dia. Uma avaliação final do efeito das chuvas deste final de semana (devem continuar – veja previsão do IPMET) só na segunda-feira.
Rozídio ininterrupto
Vale lembrar que o rodízio foi interrompido por alguns dias e voltou em definitivo, desde o último dia 13. Amanhã completará duas semanas ininterruptas. A partir da segunda-feira, 13 a falta do líquido só se agravou e as temperaturas só subiram. E, apesar do rodízio, muitos bairros foram penalizados ficando sem água mesmo estando dentro do período de fornecimento estabelecido pelo rodízio. Caso da região da Bela Vista. Ontem pela manhã havia água nas torneiras à vontade naquela região. Ela começou a chegar às 6h da manhã, exatamente como o previsto pelo DAE.
Mudança de hábito
Mesmo assim, com o sábado de tempo fresco (apesar de abafado, com o termômetro marcando 22 graus por volta das três da tarde e 90% de umidade no ar), chuva fina em diversos setores, os moradores da região enfrentaram uma nova rotina contra o desperdício de água. Nada de lavagens fartas. Para muitos, foi dia de limpeza geral,mas com água reaproveitada da máquina de lavar roupas para lavar o quintal.
Briga de vizinhas
E foi justamente na região do Jardim Bela Vista, na parte baixa, no início da rua Tomé de Souza, Vila Seabra que uma discussão entre vizinhas quase virou caso de polícia. A PM foi chamada quando uma moradora fez a denúncia de que a vizinha estava lavando a área e a calçada com a mangueira, gastando demais do precioso líquido. Mas não foi preciso B.O – fazer boletim de ocorrência. A turma do “deixa-disso” já havia entrado em ação. E a “gastadora” fechou suas torneiras.
O comportamento muda não só no hábito da população que estoca mais, que usa menos, que reaproveita e ainda faz o chamado “patrulhamento”. Saem de cena as reclamações da falta do líquido e entram as reclamações e policiamento contra quem faz o desperdício. Mas muito o que parece desperdício, na verdade se traduz em economia.
ECONOMIA
Uma rápida conversa com o dono de um posto de combustível, na avenida Nações Unidas, dá a dimensão do que está sendo a falta de água: “Os motoristas pararam de lavar para economizar”, diz Armando Oliveira que viu o movimento desse setor despencar nos últimos dias. Ele tem no local uma máquina de lavar carros automática. Muitos estão evitando lavar seus automóveis como forma de não piorar o desabastecimento.
Lavar calçada
No caso do uso das máquinas domésticas de alta pressão, o consumo médio de uma hora é de 140 litros, de acordo com o maior fabricante desse tipo de máquina do país. Mais: ao avar a calçada com mangueira por 20 minutos gasta-se em média quase 300 litros. Varrer, não gasta nada. Nesse caso é preciso ver se não dá para trocar pela varrição. E deixar que a chuva se encarregue desse serviço posteriormente.
Economia cinco vezes menor
Também na esteira da crítica a quem lava com máquinas manuais de alta pressão, um homem foi flagrado lavando o telhado de sua casa, na sexta-feira. De fato, ele poderia ter esperado a chuva chegar. Mas de qualquer maneira os especialistas apontam o uso desses equipamentos como ecológicos e mais econômicos. Ou seja, se o homem estava cometendo o “crime de desperdício de água” também tinha sua atenuante. “Sim, porque veja no caso da máquina de lavar o carro, enquanto numa lavagem normal, com mangueira (fechando quando se está ensaboando o veículo) gasta-se mais de 400 litros, na máquina de lavagem a jato consumimos 80 litros, faz muita diferença e muita gente não sabe disso”, enfatiza Armando Oliveira.
Na verdade, segundo dados da ONU – Organização das Nações Unidas, para lavar o carro com mangueira aberta durante 30 minutos, o consumido médio é de 560 litros. Usar um balde e um pano reduz o consumo para 40 litros.
Ainda a ONU o consumo de água ideal por pessoa é de 110 litros por dia. No Brasil, a média é de 167 litros, para quem tem água encanada e tratada. No Estado de São Paulo, a média é de 193 litros.
Reclamações pontuais
O Jornal da Cidade ainda recebeu nas últimas 24 horas várias reclamações de bairros onde o abastecimento não havia sido normalizado. Caso dos moradores do condomínio Terra Nova, onde se suspeitava da quebra da bomba do poço do Núcleo Octávio Rasi. Mas o DAE informou que não houve problema com a bomba do Rasi, nas últimas horas. Os moradores foram orientados a verificar o setor de captação dentro do próprio condomínio.
Já os vazamentos estão sendo verificados pela equipe técnica da autarquia e os reparos serão feitos na próxima semana, seguindo uma escala programada pela própria empresa.
Previsão do IPmet é de mais chuva no domingo
As previsões do Instituto de Pesquisas Meteorológicas (IPMet) da Unesp é de hoje ainda chover em Bauru. Serão pancadas de chuva mais isoladas, a temperatura máxima oscila entre 30 e 27 graus e a mínima fica na casa dos 21 graus.
As chuvas que chegaram a Bauru, para refresco da enorme seca que o município estava passando, são consequência de áreas de instabilidade que vieram do norte, segundo a meteorologista Zildene Pedrosa.
Amanhã o tempo fica estável novamente. O período de sol deve durar até quinta-feira, quando uma frente fria chega a Bauru trazendo mais chuva e queda significativa nas temperaturas.
Até o fim da tarde de ontem, tinham sido computados 1,3 milímetros de chuva no dia e a temperatura máxima não ultrapassou os 22,8 graus, quando a mínima chegou aos 18,2 graus.
Acordo suspende corte de água no Três Américas
Um acordo firmado entre o Departamento de Água e Esgoto (DAE) e representantes dos moradores do Residencial Três Américas suspendeu o corte de água no condomínio, que devia R$ 145 mil à autarquia. O débito foi dividido em 60 vezes, sendo a primeira delas quitada na última quarta-feira.
As parcelas terão vencimento no dia 16 de cada mês e, caso não forem quitadas, o fornecimento de água será interrompido no residencial, onde moram 448 famílias. A ameaça de o condomínio ficar sem água foi matéria do Jornal da Cidade no último dia 9. Depois da publicação, reuniões entre a presidência do departamento e moradores foram realizadas no dia 9 e no dia 16 de outubro. Localizada no Núcleo Edson Francisco da Silva (Bauru 16), o Três Américas foi construído por meio do programa federal Minha Casa Minha Vida.
Apesar de contar com hidrômetros individuais, a medição do consumo é feita no hidrômetro geral do residencial, o que gerou muitas queixas entre os moradores que pagavam mensalmente as taxas condominiais e, mesmo assim, corriam o risco de ficar sem água. Nesta semana, o prefeito Rodrigo Agostinho se comprometeu a publicar uma resolução para autorizar o DAE a iniciar a leitura individualizada nos residenciais onde haja um hidrômetro por apartamento.