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Aceituno Jr. |
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Carlos Sette diz que crescimento não será retomado até março |
Apesar de os números não serem expressivos, Bauru continua registrando índices positivos no nível de emprego. Nos primeiros nove meses do ano, foram criadas 2.023 novas vagas de trabalho com carteira assinada na cidade, 3% mais do que os 1.963 postos gerados no mesmo período do ano passado.
Os dados integram o Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged) do Ministério do Trabalho e Emprego (MTE). Em 2014, até setembro, foram contabilizadas 53.786 admissões e 51.763 desligamentos nos principais segmentos da economia.
Os motivos para comemorar, no entanto, são poucos, já que os dados não estão muito distantes dos registrados durante a crise financeira internacional que atingiu todo o globo a partir do final de 2008. Em 2009, o saldo entre contratações e demissões nos primeiros nove meses do ano havia sido de 1.676 vagas. No mesmo período, em 2010, foi de 10.851; em 2011, de 5.076; e, em 2012, de 5.275 postos.
Em 2014, o resultado foi obtido, principalmente, pelo bom desempenho do setor de serviços e prejudicado pela preocupante performance da indústria. Entre janeiro e setembro, o primeiro segmento garantiu, sozinho, a criação de 2.154 novos empregos, enquanto o segundo extinguiu 527 vagas.
A explicação para a variação está no alto estoque de mão de obra das empresas durante os anos em que a economia permaneceu aquecida, estimulada pela facilidade de acesso ao crédito e pela concessão de subsídios para a aquisição de veículos e imóveis. Mas, quando o nível de consumo chegou ao limite, a desaceleração veio como consequência do endividamento da população.
Desconfiança
“Com a redução da demanda, a produção industrial foi a primeira a sentir os efeitos e, portanto, a primeira a começar a demitir. Agora, o comércio também já está sendo atingido”, analisa o economista Carlos Roberto Sette, referindo-se à extinção de seis vagas pelo setor nos primeiros nove meses deste ano.
Além do desaquecimento da demanda interna - que gera desemprego e, portanto, diminuição massa salarial injetada no mercado -, Sette cita a queda no preço das commodities no mercado internacional, que gera impacto sobre os produtores brasileiros. “Outro fator negativo é que há um rombo muito grande nas contas públicas, que leva o governo a manter as taxas de juros altas, o que inibe o acesso ao crédito e, portanto, o consumo”, detalha.
Por conta deste cenário considerado pessimista, que reduz o nível de confiança do empresariado para investimentos, o economista avalia que, ao menos até o final do primeiro trimestre de 2015, o nível de emprego não apresentará qualquer recuperação significativa em Bauru. “O mesmo ocorrerá com os níveis de inflação. Independentemente de quem ganhar estas eleições, este período inicial será de ajuste, com um cenário não muito favorável à geração de novas vagas de trabalho”, finaliza.
No Brasil
Embora não tenha registrado uma alta expressiva no volume de empregos, Bauru teve um desempenho significativamente melhor do que a média brasileira. Segundo dados do Caged, entre janeiro e setembro, a geração de emprego com carteira assinada somou 904.913 vagas, 31,6% a menos do que a abertura de 1,323 milhão de vagas em igual período de 2013.