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Uma colisão entre um caminhão e um ônibus matou 11 pessoas e deixou outras 29 feridas, na noite de anteontem, em rodovia de Ibitinga (90 quilômetros de Bauru). Sete estudantes, entre 16 e 17 anos, três professoras de uma escola estadual e uma diretora da rede de ensino municipal de Borborema morreram na tragédia. O acidente ocorreu em um trecho que está em obras e não possui sinalização de solo.
No coletivo estavam alunos e professores da Escola Estadual Dom Gastão Liberal Pinto, de Borborema, que voltavam de uma excursão cultural em São Paulo. Um sobrevivente do acidente e um familiar de uma vítima afirmaram que o motorista mudou a rota do percurso e se dispersou dos outros dois ônibus empenhados na viagem. A empresa Aviação Jabotur nega o fato. (leia texto abaixo)
A colisão ocorreu por volta das 23h30, na altura do quilômetro 368 da rodovia Deputado Leônidas Pacheco Ferreira (SP-304). O ônibus com 46 lugares, de Jaboticabal, seguia no sentido Ibitinga-Borborema e levava 40 passageiros. O coletivo colidiu lateralmente contra o caminhão, placas de Novo Horizonte, carregado com 27 mil litros de óleo vegetal e trafegava no sentido contrário. De tão forte foi o impacto, a lateral direita do ônibus foi totalmente arrancada e algumas vítimas foram arremessadas para fora do veículo. Já a frente do caminhão se desintegrou do tanque e um incêndio tomou conta dos veículos.
Seis viaturas do Corpo de Bombeiros e cerca de 30 profissionais atuaram no resgate. Segundo o 1º sargento Carvalhais do Corpo de Bombeiros de Ibitinga, havia muito fogo no local e vítimas já sem vida. “Controlamos as chamas para ter acesso ao interior do ônibus. O resgate foi difícil, pois eram ferimentos graves como dilaceração, avulsão de membros”, explicou. Foi jogado palha de cana e serragem na pista, que permaneceu interditada até as 14h de ontem.
A cena no local era de destruição. Poltronas, fragmentos dos veículos e objetos pessoais das vítimas, entre pares de tênis e peças de roupas, ficaram espalhados pelo local. A Polícia Científica foi acionada e a quantidade de óleo na pista dificultou o trabalho de perícia técnica.
O delegado de Ibitinga, Carlos Alberto Ocon, diz que os motoristas não obedecem às placas de limite de velocidade de 60 km/h para o trecho em obras. “A maioria desses acidentes ocorre por imprudência dos motoristas”, diz. No entanto, a falta de sinalização de solo também pode ter contribuído para o acidente ocorrido na noite de anteontem.
A diretora da Emei Ana Rosa, Marisa Mansano, morta no acidente, viajava acompanhada dos filhos gêmeos Murilo dos Santos e Marcelo dos Santos, que sobreviveram à tragédia. Por volta das 7h30, enquanto o tanque do caminhão era removido do acostamento, os bombeiros localizaram mais uma vítima fatal, que estava com o corpo carbonizado.
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‘Só pensava em correr e ligar para o meu pai’
“Só pensava em correr e ligar para o meu pai”. O depoimento é do estudante Leandro dos Santos Pires, 17 anos, um dos sobreviventes da tragédia na rodovia de Ibitinga. Ele contou que estava dormindo, ao lado de uma amiga, em uma poltrona do lado oposto onde o ônibus foi atingido pelo caminhão.
“Não lembro de nada. Quando percebi, estava pegando fogo (no ônibus) e pulei pelo buraco que ficou (aberto) com a batida. Cai de joelhos e ainda ajudei uma menina que não conseguia sair. Depois corri e liguei para o meu pai me buscar. Entrei em choque”, relatou.
A mãe de Leandro, Edna Rosane Pereira dos Santos disse que o marido, para não alarmar, não contou sobre o acidente. Quando ela chegou ao local da colisão, disse ter “paralisado”. “Uma cena horrível. Gritava o nome do meu filho e nada. Aí fui para o hospital e fiquei feliz em ver que ele estava bem”, contou, aliviada ao saber que o filho escapou da morte.
‘Nem sarei de uma ferida e já tem outra’
O aposentado José Felipe dos Santos, 80 anos, perdeu a nora Margarete Lucas dos Santos, 44 anos, uma das professoras da escola em Borborema, e o neto Leonardo Lucas dos Santos, 17 anos, permanecia na UTI na Santa Casa de Ibitinga.
“Em menos de dois anos, perdi um filho de 46 anos, que morreu após complicações de uma pneumonia dupla, e agora minha nora no acidente. Nem sai de uma ferida e já tem outra”, lamentou. Ele recebeu a notícia do acidente de uma irmã e se dirigiu na hora para o hospital. “É tudo muito triste. Agora é entregar na mão de Deus a saúde do meu neto”, disse.
O motorista do caminhão, Leandro Sanches Basalea, também se recuperava no hospital de Ibitinga. Ele e o pai prestam serviço de transporte para a Empresa Triângulo Alimentos, de Itápolis. A mãe de Leandro, Eliane Aparecida Busalea, contou que o filho saiu de casa por volta das 22h30 e iria entregar a carga em Itupeva. “Ele disse que não lembra de nada. Nasceu de novo”, disse.
Mudança de rota
O grupo de estudantes, dos 2º e 3º colegial da Escola Dom Gastão, saíram de Borborema por volta da 1h de segunda-feira, com destino a São Paulo, para uma excursão cultural, onde visitaram a Bienal e assistiram a uma apresentação da Osesp (Orquestra Sinfônica do Estado de São Paulo). Os estudantes ainda visitaram o Aquário da cidade e passaram no Parque Dom Pedro Shopping, em Campinas. “Saímos de lá umas 18h30. Eram três ônibus e o nosso, que seguia na frente, mudou a rota, enquanto os outros seguiram por outro lugar”, disse o estudante Leandro dos Santos Pires, 17 anos. Adriano Alves Neto, pai da estudante Isabela Lourenço Alves, que sobreviveu ao acidente e se recuperava na Santa Casa de Ibitinga, também falou sobre a mudança no percurso da viagem. “Não sei porque, mas o motorista pegou uma rodovia paralela a que os outros ônibus seguiram”, disse.
Procurada pela reportagem, a Empresa Aviação Jabotur negou o fato, mas não se pronunciou sobre o acidente.