08 de julho de 2026
Bairros

2ª "cabeça" de quadrilha é cortada

Rita de Cássia Cornélio
| Tempo de leitura: 4 min

Fotos: João Rosan

Rodrigo dos Santos Cunha (à esquerda) seria o chefe; além dele, foram presos André Luiz Takami, Osvaldo Ponciano Júnior, Marlos Fernando Brandão de Mattos, Alexandre Gomes da Silva e outras duas mulheres: Michele Fernanda dos Santos e Eliane da Silva

Um cofre contendo drogas, documentos e cheque foi apreendido ontem em uma residência do Jardim Vânia Maria pela Polícia Civil. O objeto revela um esquema utilizado pelo tráfico de drogas para despistar a polícia e evitar prisão em flagrante. Contudo, a estratégia não deu certo. A operação derrubou o segundo pilar de uma quadrilha que começou a ser desmantelada em setembro (leia mais abaixo). Ontem, foram apreendidos cerca de 15 quilos de maconha, 185 porções de crack, 70 pontos de cocaína, dinheiro, balança e ferramentas. Sete pessoas foram presas.

A operação da Central da Polícia Judiciária (CPJ) realizada ontem visava prender cinco pessoas que estavam com o mandado de prisão temporária decretada por serem integrantes de uma quadrilha que atuava em Bauru comprando drogas no “atacado” através de um consórcio e distribuindo no “varejo”. Anteriormente, outras seis pessoas desse bando foram presos e apreendidos 279 quilos de maconha, que chegava do Mato Grosso.

Ontem, foram presos Rodrigo dos Santos da Cunha, 26 (irmão do antigo chefe e que, segundo a polícia, assumiu a liderança); Marlos Fernando Brandão de Mattos, 31 anos; Osvaldo Ponciano Júnior, 29; André Luiz Takami, 25; Alexandre Gomes da Silva, 44; Michele Fernanda dos Santos, 29, e Eliane da Silva, 40. Todos foram autuados em flagrante por tráfico. 

Marlos, André, Osvaldo e Rodrigo estavam com a prisão temporária decretada. Já Alexandre guardava o tal cofre com parte bruta do entorpecente em casa.

Em outra residência, mais drogas foram achadas e as duas mulheres foram presas. A droga estava na casa de Michele, porém, Eliane teria assumido a posse do produto.

As investigações apontam ainda outro suspeito. Cesar de Oliveira Silva, que também está com a prisão temporária decretada por 30 dias, não foi encontrado, portanto continua sendo procurado. 

Continuidade

Para o delegado seccional Ricardo Martines, o trabalho feito ontem demonstrou que, mesmo com os líderes presos em setembro, a quadrilha continuava atuando. “A operação começou em maio. A primeira etapa de operacionalidade foi em setembro quando prendemos seis integrantes dessa associação e mais de 270 quilos de maconha. Dando continuidade, pedimos a prisão temporárias desses  e ontem prendemos mais. O que surpreende é que apreendemos uma quantidade considerável de drogas de novo, o que demonstra que, mesmo com os líderes presos, eles continuavam a traficância.”

Martines acredita que essa associação foi completamente desmantelada ontem. “Trabalhamos com o serviço de inteligência. É esse o trabalho que temos que fazer. Não basta retirar a droga de circulação.  Temos que retirar a droga e as pessoas envolvidas. Nesse caso específico, conseguimos fechar o ciclo. Prendemos quem trazia a droga, o pequeno distribuidor e o micro distribuidor, toda a cadeia”.


Chave do cofre ficava com o chefe

Um cofre contendo parte bruta das drogas foi apreendido na casa de Alexandre Gomes da Silva. A chave não estava com o morador. O esquema visava despistar a polícia, avaliou o delegado seccional.

“O dono da droga armazenava parte dela na residência de um comparsa. Desta forma ele não precisava transportar a droga de um lado para outro, ficava só com a chave do cofre. Quando o ‘varejista’ precisava abastecer a biqueira, saía tranquilamente de sua casa, sem levantar suspeita alguma, e ia até o local. Abria o cofre, pesava a droga e entregava para os pequenos distribuidores que vendiam em esquinas da cidade”, aponta Ricardo Martines.

A chave do cofre estava na carteira de Rodrigo dos Santos da Cunha, acusado de ser o chefe desta parte da quadrilha. “O Rodrigo é irmão do Robson, que está preso. O Robson era o chefe do grupo que prendemos em setembro”, explica o delegado Ricardo Dias, da Delegacia de Investigações Sobre Entorpecentes (Dise).


Primeiro golpe

No dia 17 de setembro, policiais da Dise apreenderam 279 quilos de maconha no Parque Viaduto. A droga tinha acabado de chegar do Mato Grosso para ser distribuída na cidade.

No local foram presos os líderes da associação para o tráfico, Robson dos Santos Cunha, Abner José de Souza, Lucas Ferreira, Diego José Gonçalves dos Santos, Janaina Vieira e Mayara Pavan. “No inquérito policial, representamos e saiu os mandados de prisão. Hoje, policiais civis de Bauru, da Dise, CPJ, DIG com o apoio da seccional de Lins, Marília e Assis cumpriram os mandados”, esclareceu Ricardo Martines.

Como nos locais foram encontradas outras quantidades de drogas, os presos serão autuados por associação para o tráfico e flagrante de tráfico. Além das drogas, a balança de precisão e o dinheiro denotam o tráfico.