08 de julho de 2026
Tribuna do Leitor

O silêncio dos culpados!


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A chegada do pedido de cassação do amigo fraterno do doleiro Alberto Youssef, também conhecido por ocupar um cargo de deputado federal em Brasília, André Vargas, continua sendo estrategicamente protelada por seus companheiros na Câmara Federal desde agosto deste ano.

A Comissão de Ética daquela Casa, presidida pelo deputado Ricardo Izar (PSD-SP), aprovou a cassação do fanfarrão paranaense em 20 de agosto. O pedido, então, deveria ter seguido ao plenário para votação e provável cassação do deputado. Porém, decorridos dois meses do envio, o processo permanece guardado, ou melhor, parado na Comissão de Constituição e Justiça da Câmara presidida pelo colega de partido, o dwputado Vicente Cândido da Silva (PT-SP).

Em parte, sabemos que o ano de 2014 não foi muito profícuo para os trabalhos do Congresso Nacional. Afinal de contas, Carnaval, Copa do Mundo, duas férias, eleições, viagens às bases eleitorais, enfim, sobrou pouquíssimo tempo para trabalhar e exercer com dignidade seus mandatos.

Outro problema é o corporativismo, no francês "esprit de corps", que poderia ser traduzido, como sugeriu o brilhante jornalista Josias de Souza, como "espírito de porco". Os acordos são muitos, as agendas ocultas encobrem e dificultam as coisas sérias no parlamento nacional em todas as suas esferas, diga-se de passagem. Assim como nas ruas das nossas grandes cidades, no Congresso Nacional também existem algumas facções, essas incrustradas dentro dos partidos e que defendem até a morte seus membros. Algo muito parecido com o modus operandi das máfias internacionais.

Os parlamentares situacionistas e oposicionistas nestas horas se somam, se locupletam, se ajudam e fazem com que permaneçam pairando sob suas cabeças a desconfiança generalizada da sociedade civil sobre a conduta imoral de alguns políticos. Caso contrário, já teriam discutido e votado o pedido de cassação do amigo do doleiro.

Enquanto a sociedade assiste à notícias recorrentes de corrupção na mídia nacional, os deputados protelam a decisão e mantém na Casa o silêncio dos culpados. A falta de cobrança da sociedade sobre seus representantes assegura certa tranquilidade a todos, que fingem que estão trabalhando enquanto o povo honra seus compromissos e paga a conta nefasta desta imensa camarilha oficial do Poder Legislativo nacional.

Uma mão suja lava a outra mão ainda mais imunda, manchada pela corrupção, pela formação de quadrilha, pela lavagem de dinheiro e envio de remessas irregulares a contas em paraísos fiscais. Nem a delação premiada atinge quem deveria zelar pelas leis e a ordem.

Rafael Moia Filho