08 de julho de 2026
Nacional

Visitante ignora avisos e lava jazigos

Folhapress
| Tempo de leitura: 2 min

Em meio à crise hídrica do Estado de São Paulo, parte dos paulistanos não atendeu ao pedido da prefeitura para economizar água nos cemitérios da Capital, ontem, Dia de Finados. Alguns visitantes até pagaram crianças e adolescentes para que lavassem os jazigos.

 

O Serviço Funerário pôs avisos em postes e torneiras dos cemitérios pedindo à população que não autorizasse a lavagem de jazigos.

 

No cemitério do Araçá (zona oeste), o serviço custava R$ 20,00. A estudante Nathália Araújo da Silva, 18 anos, estava no cemitério acompanhada do irmão de 12 anos, e conseguiu arrecadar R$ 80,00 em seis horas de trabalho. Eles não estavam preocupados nem com a economia de água nem com a fiscalização. “Venho todos os anos no Dia de Finados para ganhar uma renda extra e ajudar em casa”, disse Nathália.

 

Uma adolescente de 17 anos diz que arrecadou R$ 100,00 limpando túmulos no cemitério da Consolação (região central). “O cemitério é muito grande. A fiscalização não nos acha.”

 

A arquiteta Juliana Fernandes Rocha, 42 anos, admite que já pagou para a lavagem de túmulo, mas parou quando descobriu que a atividade é ilegal. “Não é fácil lidar com o sentimento de limpar o túmulo de um parente querido, por isso, acabava pagando”, disse.

 

O aposentado Josefo Estevez, 78, preferiu ele mesmo limpar a lápide da mãe. Ele usou um balde com água e um pano. “Aproveito o feriado para deixar o túmulo em ordem e, este ano, não tive nenhuma recomendação sobre a economia de água.”

 

A prefeitura não divulgou o número de visitantes nos 22 cemitérios municipais até esta noite. No ano passado, o número foi de 1,3 milhão.

 

Criança ‘milagreira’

 

O túmulo de José Martins de Almeida, o “menino Zezinho”, foi mais uma vez o mais popular entre os visitantes do Cemitério da Saudade, em Ribeirão Preto (213 km de Bauru), ontem, Dia de Finados. 

 

O cemitério mais antigo da cidade tem aproximadamente 130 mil corpos enterrados em 121 anos desde a fundação mas, desde os anos 1940, o “menino Zezinho” é um dos mais populares. 

 

Repleto de placas agradecendo “pela graça concedida”, o túmulo ficou coberto de oferendas e flores neste domingo. 

 

O local é apontado até mesmo pela Prefeitura de Ribeirão Preto como o mais visitado do cemitério. 

 

A origem da história de Zezinho, morto aos 9 anos em 1947, tem diferentes versões. Em todas, o garoto é descrito como uma criança doente, mas a origem da devoção tem variações. 

 

“Ele era um menino muito doente que lutou pela saúde dele e, por causa dessa perseverança, as pessoas passaram a pedir coisas no túmulo dele depois que morreu”, disse o comerciante Benedito Carvalho, 60 anos, que vai ao local uma vez por mês. 

 

O comerciante Expedito Ferreira, 72, disse que o menino já era tido como santo quando vivo. “Ele dava benção e, pelo que sei, morreu por elefantíase”, disse. 

 

A história, assim como os supostos milagres, são repassados de boca em boca e aumentam a fé do público.