11 de julho de 2026
Polícia

Polícia Civil faz buscas por adolescente desaparecida

Bruno Freitas com Marcele Tonelli
| Tempo de leitura: 4 min

Fotos: Arquivo Pessoal

Sabrina de Oliveira mora com o namorado na Vila Nipônica

A Polícia Civil de Bauru, por meio do setor de investigação da Central de Polícia Judiciária (CPJ), iniciou, nesta segunda-feira (3), as buscas pela adolescente Sabrina Lopes de Oliveira, 15 anos. A garota, moradora da Vila Nipônica, desapareceu na noite de sexta-feira da semana passada. Ela teria sido vista, pela última vez, pelo namorado, com quem convive há dois anos em um apartamento no bairro. O sumiço foi noticiado na edição de domingo do JC.

Responsável pela apuração de desaparecimentos na cidade, a Delegacia de Investigações Gerais (DIG) abriu um Procedimento de Investigação de Desaparecimento (PID). A apuração dos sumiços mudou após uma portaria publicada em maio deste ano pela Secretaria de Segurança Pública (leia mais abaixo).

Até o final da tarde de segunda, o delegado titular da DIG, Kleber Granja, descartava a hipótese de o sumiço da adolescente estar relacionado a algum tipo de crime.

“Segundo o que a investigação já apontou, ela teria saído de casa para esfriar a cabeça”, pontua o delegado. “Ele não foi muito convincente em tudo o que disse, mas deixou claro que acredita que ela não está desaparecida, mas sim que não quer ser encontrada”, completa Granja.

“Mão há nenhum indício que aponte que este caso tenha vínculo com algum tipo de crime, como sequestro ou homicídio. Acreditamos que ela possa estar abrigada na casa de um amigo ou de um familiar”.

Buscas

Kleber Granja destaca que 99 % dos casos que envolvem desaparecimento de adolescentes, atualmente, ocorrem por rebeldia, motivada por discussão com familiares, por exemplo.

Vale ressaltar, contudo, que, neste caso, o próprio namorado da adolescente, e a mãe da garota, Tatiana de Fátima Lopes, estão à procura dela.

“A investigação inicial deste tipo de desaparecimento sempre trabalha com a hipótese  de rebeldia. Tentamos esgotar todas essas possibilidades. Só depois que trabalhamos com as chances de outros crimes”, explicou Granja.

O delegado destaca que os trabalhos, como checagens em hospitais e locais onde a garota possa estar, continuam.

“O marido também disse que ela esteve com uma amiga, nos últimos dias, em um bairro da periferia, na região noroeste da cidade. De lá, ela teria pego um ônibus e sumido”, completa o delegado. Em sua página no Facebook, o companheiro de Sabrina, que é proprietário de uma empresa de trufas, Ozias da Silva, de 21 anos, publicou vários textos pedindo ajuda aos amigos.

Sabrina estava matriculada desde março deste ano na Escola Estadual Stela Machado, na Vila Pacífico, mas segundo a professora mediadora da unidade, ela teria frequentado as aulas esporadicamente.


Carta

Em conversa com o JC ao final da noite de segunda, Ozias Silva contou que não estava em casa quando Sabrina teria saído pela última vez. “Eu estava trabalhando e, quando cheguei, um vizinho me disse que ela tinha saído por volta das 20h20. Depois, acabei confirmando isso pelas câmeras do prédio. Ela estava de shorts jeans, camisa xadrez vermelha e preta e coturno”, conta. “A última coisa que ela me disse, por celular, é que não faria janta e que iríamos comer lanche quando eu chegasse”, completa.

Em cima da mesa da casa, ele conta que havia uma carta escrita pela companheira, direcionada a ele e aos pais. No texto, ela se desculpava por possíveis transtornos e pelo abandono.


98% dos casos de desaparecidos em Bauru não são criminais

Desde maio deste ano, a Polícia Civil de São Paulo adota um novo procedimento para investigação de desaparecimentos. Trata-se de um protocolo adotado após intervenção do Ministério Público que cobrava mais agilidade na apuração.

Antes da medida, os casos registrados em Bauru eram divididos entre os Distritos Policiais. Apenas as ocorrências mais graves ou com indícios de crimes eram levadas à DIG. A partir da publicação da resolução pela Secretaria de Segurança Pública, os casos foram centralizados.

Com a nova função, uma equipe da DIG fica responsável por dar andamento a esses casos específicos. E todas as unidades policiais no Interior e na Capital podem ter acesso.

Para se ter ideia, desde que o novo sistema passou a funcionar, a DIG registrou 82 casos de desaparecimento em Bauru. Uma média de 15 ocorrências por mês.

Até hoje, apenas dois casos do tipo tiveram relações com crimes, segundo analisa o delegado Kléber Granja. “Um teve relação com a Lei Maria da Penha e o outro com um homicídio. São raros os casos de desaparecimentos em que há vínculos com crimes”, explica.

Informações e pistas sobre o paradeiro da adolescente devem ser informadas pelos telefones  (14) 99789-8083 (Ozias) ou 190 (Polícia Militar) ou (14) 3235-6500 (CPJ).

Delegacia de Investigações Gerais (DIG) de Bauru faz buscas por Sabrina Lopes de Oliveira