O fato já ocorrera anteriormente em época eleitoral, mas desta vez Lula excedeu. Primeiro mentiu, espalhou boatos, usou o nós contra eles sendo nós os pobres e eles os ricos, sem considerar que hoje ele, Lula, não é mais o pobre metalúrgico, mas o rico político. Como sempre, abusou de sua identidade com os menos favorecidos, conhecendo seu linguajar e tomando goles de cachaça e, sem nenhum compromisso com a verdade, se desvestiu de toda ética, se é que já foi antes ético, e atacou pessoalmente, adjetivando, insinuando, fazendo prosperar maledicência, ou seja, fazendo o diabo como prometeram no início.
Mas pior desta vez. Pressionado pelo eventual fracasso de seu partido e com isto a quebra do ciclo de impunidade que cerca a ele e a poste presidente, sacou a discriminação, jogando sulistas, moradores do sudeste e centro-oeste contra nortistas, nordestinos e até mineiros. Lula venceu com seu partido, mas deixou um rastro de desavença e ressentimento entre brasileiros, acirrou a oposição e quem sabe lançou bases para um futuro tumultuado impeachment.
Enquanto FHC cuida de sua imagem para a história e será lembrado como o presidente da estabilidade e da responsabilidade fiscal, Lula poderia ser lembrado pela distribuição de renda e política social pelos menos favorecidos, mas deixará agora uma mancha de um político que perdeu a grandeza da história para fazer o diabo em uma eleição e sendo comparado ao personagem ?Macunaíma?, o político sem caráter.
Márcio M. Carvalho