08 de julho de 2026
Polícia

Adolescente desaparecida estava na rua e sem dormir

Bruno Freitas
| Tempo de leitura: 3 min

Éder Azevedo

Sono, fome e querendo proteção do namorado; após mais de 72 horas, Sabrina, enfim, retornou para casa

Após ficar mais de 72 horas desaparecida, entre a noite de sexta-feira (31) e o início da manhã desta terça-feira (4), a adolescente Sabrina Lopes de Oliveira, 15 anos, voltou para casa após passar todo este período na rua, com a roupa do corpo, uma outra peça na mochila e algumas notas de dinheiro e moedas na carteira.

Após mais uma discussão com a mãe, ela havia deixado uma carta avisando ao namorado de que não causaria mais transtornos a ninguém e sumiu.

Em entrevista ao JCNet, na Central de Polícia Judiciária (CPJ), onde foi ouvida pelo delegado Kléber Granja, Sabrina contou que não possui um bom relacionamento com a mãe e que, após mais uma briga, ela resolveu deixar o apartamento onde vive com o namorado, na Vila Nipônica.

A intenção era de passar a noite na casa de uma amiga, no bairro Fortunato Rocha Lima, mas acabou não dando certo. Com isso, ela teria ficado na rua, percorrendo os bairros Nove de Julho, Santa Edwirges e o próprio Fortunato, contudo, sem dormir.

“Quando acabou o dinheiro, eu tive a sorte de receber ajuda de uma mulher que me deu o que comer. Passei frio, tive sono, mas não dormi. Nem na rua. Porque tive muito medo”, contou Sabrina, que não havia pedido ajuda aos familiares porque não estava preparada para voltar.

Família

A adolescente relata que possui um relacionamento conturbado com a mãe, Tatiana de Fátima Lopes, que é separada, mas cuida da casa sozinha e ainda trabalha em um açougue. As diferenças, segundo ela, se agravaram quando a jovem conheceu o namorado Ozias da Silva, na época, ela tinha 14 anos e ele 18. Uma suspeita de gravidez na adolescência teria sido o estopim da briga entre as duas e feito com que Sabrina quisesse morar com o namorado, onde vive até hoje. “Eu sinto um alívio enorme no meu coração de ver que ela está bem e voltou, mas preciso aprender a lidar com ela e seu temperamento. É difícil. Sou contra ela morar com ele, não concordo, mas vou fazer o quê? É lá que ela quer morar”, desabafou a mãe.

Retorno

Ozias e Fátima tiveram que se aproximar pelo bem comum de localizarem a adolescente. Juntos, eles buscaram por notícias da jovem em vários bairros, em hospitais e estiveram na Redação do Jornal da Cidade pedindo ajuda.

E foi por volta das 7h30 desta terça-feira que uma mulher, que havia acabado de ler a reportagem publicada na edição desta terça-feira do JC , ainda com o exemplar na mão, ligou para o telefone de Ozias, informado no texto, e contou:. “Ela estava em um circular, na linha que segue para a Vila Universitária. Eu, a mãe dela e o irmão fomos até ela e tudo ficou bem, graças a Deus”, contou Ozias.

Estudos

Conforme o JCNet havia noticiado, a adolescente é matriculada no primeiro ano do ensino médio, mas frequentou as aulas esporadicamente.

“Eu perdi o ano, vou ter que repeti-lo novamente, mas pretendo voltar mesmo assim, para ter uma ocupação enquanto não consigo um emprego como menor aprendiz. Mas no próximo ano eu vou pegar firme e me dedicar à escola e ao primeiro emprego”, prometeu a jovem.

Adolescentes desaparecidos

O delegado Kléber Granja, responsável pela Delegacia de Investigações Gerais (DIG), explica que quase a totalidade dos sumiços de jovens é por motivo de briga entre familiares e por relacionamento amorosos. Praticamente 2% destes casos, segundo a DIG, envolvem algum tipo de crime.

Desde maio deste ano, a Polícia Civil de São Paulo adota um novo procedimento para investigação de desaparecimentos. Trata-se de um protocolo adotado após intervenção do Ministério Público, que cobrava mais agilidade na apuração. Neste período, a DIG registrou 82 casos de desaparecimento em Bauru. Uma média de 15 ocorrências por mês.