11 de julho de 2026
Política

Instituto Federal tem atraso nas obras e fica para ano que vem

Vinicius Lousada
| Tempo de leitura: 4 min

Fotos: Quioshi Goto

Construção começou em março deste ano e deveria chegar ao fim em 240 dias, como indica a placa colocada pela empresa

Mais uma obra pública sofre com atrasos na cidade. Programado para o primeiro semestre de 2015, a partir do mês de março, o início das aulas no câmpus de Bauru do Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia de São Paulo (IFSP) ficará só para a segunda metade do próximo ano, se tudo correr bem.

A construção dos prédios da unidade, que tem status de universidade federal, foi iniciada no último mês de março e deveria ser concluída no período de 240 dias (oito meses), como informa placa do governo federal instalada no canteiro de obras. Ou seja, até este novembro. Apesar disso, apenas 9,1% dos serviços foram executados. A reportagem esteve no local e constatou a realização da terraplanagem e de parte das fundações, além de diversos blocos de concreto ainda intactos.

Por volta das 16h dessa terça-feira, não havia trabalhadores nem máquinas no canteiro de obras. As estruturas que servem como vestiário e refeitório para os operários estavam aparentemente organizadas, mas sem qualquer responsável que pudesse impedir a entrada da equipe do JC ao local, “protegido” apenas por cercas de arame, cuja estrutura já está em boa parte danificada.

Apesar do aparente abandono, a assessoria de imprensa do Instituto Federal alega que “oficialmente, as obras do câmpus Bauru estão em andamento”.

A autarquia federal alega que o prazo de 240 dias para a conclusão das obras informado na placa se limita a uma previsão. “Eventualmente, as obras passam por novas adequações e mudanças no projeto”, pontua o órgão em nota enviada ao JC.

O contrato, de acordo com om instituto, prevê a possibilidade de prorrogação contratual para que os trabalhos cheguem ao fim só em julho de 2015, oito meses após a previsão inicial, para garantir o início das aulas a partir do mês seguinte.

A empresa responsável pela obra é a CBN Construtora Ltda, de Ribeirão Preto, vencedora do processo de licitação que definiu o custo da construção do câmpus em R$ 8.047.655,73.

A reportagem entrou em contato com a CBN por diversas vezes na tarde de ontem, mas foi informada de que os engenheiros responsáveis não se encontravam na sede da empresa para responder sobre o andamento ou eventual paralisação da construção.

O prefeito Rodrigo Agostinho (PMDB) não tem acompanhado as obras, contratada diretamente pelo Instituto Federal, mas acredita que a lentidão dos serviços pode ser explicada por eventual atraso no pagamento de medições apresentadas pela construtora. “O governo federal tem contingenciado recursos, mesmo de contratos já em andamento”.

A unidade

O instituto deve atender, em Bauru, a 1.200 alunos a partir da contratação de 70 professores e 45 servidores técnico-administrativos. Os prédios serão construídos em área de 60 mil metros quadrados, no alto da Nações Norte, no sentido da rotatória da avenida Moussa Tobias à rodovia Bauru-Marília.

O conjunto edificado terá um bloco para laboratório de informática e biblioteca; um bloco administrativo; outro com salas de aula, além de área de convivência e quadra poliesportiva. 


Indefinição de cursos

O Instituto Federal ainda não definiu quais cursos serão oferecidos pelo câmpus de Bauru. O martelo será batido a partir de audiência pública, cuja data ainda não foi marcada, mas que deve acontecer ao longo do primeiro semestre de 2015.

Quando as obras começaram, em março deste ano, a expectativa é de que a discussão com a sociedade fosse promovida em até 30 dias.

Conforme o JC já divulgou, o perfil dos cursos é indicado pelo município, que tem a incumbência de avaliar quais as áreas técnicas de necessidade para a cidade e região, tomando como base os geradores do PIB local, além da tendência de negócios em um raio de aproximadamente 100 quilômetros.

O governo local optou pelo perfil urbano, em detrimento do rural, para os cursos a serem ministrados por aqui.


Luta pelo câmpus começou há 5 anos

A unidade de Bauru do Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia de São Paulo (IFSP) foi pleiteada em 2009 pela vice-prefeita Estela Almagro e a então secretária municipal de Educação Majô Jandreice. Além de Bauru, mais sete cidades do Estado foram contempladas.

A instituição, que há 13 anos era uma escola técnica, passou por vários estágios e foi transformada em instituto em 2008. Hoje, o IFSP tem status de universidade, oferecendo nível técnico, graduação e pós-graduação.

O instituto destina 50% das vagas para curso de tecnologia e no mínimo 20% para licenciatura, sobretudo na área da ciência e matemática e, complementarmente, oferece cursos de formação inicial, continuada, engenharia e pós-graduação. Atualmente, o Estado de São Paulo possui mais de 15 mil alunos em 25 campi.

Entre os cursos oferecidos pelo instituto no País afora estão os das áreas de indústria, mecânica, eletrotécnica, processamento de dados, construção civil, turismo, automação e agroindústria.

Ontem, nenhuma máquina ou trabalhador foi visto no canteiro de obras, ao lado da avenida Nações Norte