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Éder Azevedo |
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"As pessoas não deixarão de comprar presentes e fazer a ceia de Natal, porque é uma tradição", diz Walace Sampaio |
A desconfiança do empresariado e dos próprios consumidores quanto à retomada do crescimento da economia deverá repercutir na contratação de funcionários temporários para o trabalho durante o final do ano. Segundo estimativa da Câmara de Dirigentes Lojistas (CDL) e da Associação Comercial e Industrial de Bauru (Acib), a expectativa é recrutar cerca de 2 mil profissionais, 13% menos do que o ano passado.
Em 2013, aproximadamente 2,3 mil trabalhadores reforçaram o atendimento aos consumidores durante as compras de Natal e Ano Novo. De acordo com as duas entidades e o Sindicato do Comércio Varejista de Bauru e Região (Sincomércio), a queda decorre da desaceleração econômica, que está associada ao endividamento da população e à alta da taxa de juros como estratégia para tentar conter a inflação.
“Há um clima de insegurança generalizado. O empresário fica receoso em contratar e a população, cautelosa em contrair mais dívidas”, pontua Walace Sampaio, presidente do Sincomércio.
A expectativa é de que o faturamento tenha um crescimento menos acentuado, mas o número de pessoas circulando pelas lojas deverá permanecer o mesmo neste final de ano (leia mais ao lado).
Em razão disso, o “exército” de trabalhadores que confere mão de obra extra aos estabelecimentos se torna imprescindível nesta época do ano.
“Os lojistas não devem contratar mais do que no ano passado, mas também não abrirão mão dos temporários. No fim do ano, as vendas inevitavelmente irão aumentar e o quadro fixo de funcionários, sozinho, não consegue dar conta de toda a demanda”, completa o presidente da CDL, Alceu Camargo.
Inexperiência
Presidente da Acib, Paulo Roberto Martinello explica que as lojas passaram a contratar profissionais temporários a partir do final de outubro para começarem a ser treinados para suas funções. Mas o trabalho, efetivamente, tem início a partir de novembro na maior parte dos estabelecimentos, quando o movimento de consumidores tende a se intensificar.
O perfil majoritário do pessoal selecionado é formado por jovens que ainda não conseguiram se inserir efetivamente no mercado de trabalho e que, portanto, aceitam receber os salários nem sempre atrativos oferecidos pelo comércio. “Na maioria dos casos, são trabalhadores sem experiência, que precisam aprender técnicas de venda, como se comportar, como se apresentar ao cliente e entender o que ele deseja. É complicado encontrar gente preparada”, comenta.
Devido a esta dificuldade, a Acib, em parceria com outras entidades, vem promovendo cursos e palestras de capacitação voltada a profissionais do comércio, sejam eles funcionários ou empresários. “Para ambos, o conhecimento sobre as estratégias de bom atendimento reflete diretamente nos resultados de venda do estabelecimento”, frisa Martinello.
As palestras, quase sempre, são gratuitas e os cursos, com oito horas de duração, têm custo médio de R$ 95,00. Mais informações podem ser obtidas pelo telefone (14) 3223-8455, na sede da associação.
Faturamento
Apesar da expectativa de redução de contratações de trabalhadores temporários, as associações comerciais não acreditam que haverá redução no faturamento das lojas neste ano. O crescimento, no entanto, deverá ser tímido, pouco acima do teto da meta da inflação para 2014, que é de 6,5%.
“Será um aumento menor do que o do ano passado. Ainda não dá para prever o índice exato, mas será pequeno. As pessoas não deixarão de comprar presentes e fazer a ceia de Natal, porque é uma tradição. Mas, certamente, vão optar por gastar menos, comprar uma lembrancinha para os parentes e alimentos mais baratos”, pondera o presidente do Sincomércio, Walace Sampaio.