09 de julho de 2026
Geral

Pedidos de caminhão-pipa diminuem, mas as queixas continuam

Tisa Moraes
| Tempo de leitura: 5 min

O número de pedidos de caminhões-pipa caiu para cerca de um terço do volume que vinha sendo requisitado no início do racionamento de água, mas as queixas pela demora no abastecimento promovido por estes veículos ainda são recorrentes. De acordo com o Departamento de Água e Esgoto (DAE), em meados do mês passado, a autarquia recebia entre 150 a 190 solicitações de caminhão-pipa por dia.

Já nesta semana, a quantia diária de chamados tem variado de 50 a 70. Mas esta queda não significa menos sobrecarga no serviço, já que o número de veículos disponíveis não consegue dar conta de toda a demanda.

O proprietário de um pet shop, por exemplo, relata que já fez sete solicitações ao DAE desde o início do racionamento e, até ontem, nenhuma delas havia sido atendida pela autarquia.

Sem conseguir encher a caixa d’água nem mesmo nos dias em que há previsão de abastecimento dentro do cronograma de rodízio, Cassiano Mateus diz que não consegue fazer seu estabelecimento funcionar e precisou reduzir o quadro de funcionários (leia mais abaixo). “Já tive que demitir duas funcionárias e estamos praticamente parados. Será que o DAE irá se responsabilizar pelos meus prejuízos?”, questiona o proprietário.

Amenizou

A assessoria de imprensa do DAE explica que os pedidos vêm diminuindo porque, quando o racionamento foi implementado, no dia 15 de outubro, as temperaturas estavam mais elevadas do que agora. Mas, mesmo com o tempo mais ameno, nem todas as solicitações estão sendo atendidas com a rapidez esperada por quem enfrenta o drama da falta d’água.

Atualmente, o departamento conta com quatro caminhões-pipa, sendo dois com capacidade para transportar 15 mil litros de água potável e outros dois de oito mil litros. Ainda na tarde de ontem, a autarquia realizou sessão pública para comprar mais três veículos por meio da modalidade pregão presencial.


Prioridades

Até o fechamento desta edição, no entanto, o nome da empresa vencedora não havia sido divulgado. O valor estimado para a aquisição, ainda sem data exata para ocorrer, é de R$ 801,55 mil.

Ainda de acordo com a assessoria do DAE, a demora que a população tanto reclama pode ocorrer porque os caminhões até então disponíveis obedecem a uma ordem de prioridade para prestar o serviço. Entre os que passam “na frente” da fila de espera sempre que necessário, estão hospitais, postos de saúde, creches, escolas públicas e residências ou instituições onde há pessoas acamadas.

O restante é atendido por ordem de solicitação, mas a autarquia afirma que, quando requisitados, os funcionários que fazem a distribuição não deixam de fornecer água aos vizinhos do imóvel que efetuou o chamado.


Rio Batalha sobe mais 29 centímetros

A rápida pancada de chuva que atingiu Bauru, anteontem, associada às temperaturas menos elevadas, contribuíram para elevar o nível da lagoa de captação de água do Rio Batalha. No final da tarde de ontem, a represa chegou a 1,61 metro, 29 centímetros a mais do que o registrado 24 horas antes.

A altura, no entanto, ainda está longe da ideal, de 2,6 metros, suficiente para suspender o rodízio na distribuição de água imposto a 38% dos moradores do município abastecidos pelo manancial. O Batalha, no entanto, poderá receber nova recarga ainda hoje, já que o Instituto de Pesquisas Meteorológicas (IPMet) da Universidade Estadual Paulista (Unesp) considera a possibilidade de chuvas sobre o Estado de São Paulo no período da tarde e noite.

Amanhã, a condição de instabilidade aumenta e há previsão de chuvas mais generalizadas devido à aproximação de uma nova frente fria, que deve chegar à região no sábado. No domingo, contudo, o sol volta, embora haja chances de pancadas de chuva isoladas a partir da tarde em algumas regiões paulistas. De hoje até domingo, as temperaturas oscilam entre 18 e 36 graus.


Com torneiras secas, pet shop precisa demitir parte de seus funcionários

Um pet shop localizado nos Altos da Cidade vive uma situação dramática desde o início do racionamento. Além de não receber água com a periodicidade prevista no cronograma do rodízio, o proprietário do estabelecimento também não consegue ter suas solicitações de caminhão-pipa atendidas. Ao todo, segundo ele, já foram sete pedidos nas últimas três semanas.

Por conta do problema, duas das cinco funcionárias que trabalham no setor de banho e tosa de animais tiveram de ser demitidas. “Devido à falta d’água, tive de recusar serviços. Sem o mesmo volume de trabalho e faturamento, tive de dispensar banhistas. Além perder dinheiro, ainda corro o risco de perder clientes, que podem acabar procurando outros pet shops”, lamenta o dono, Cassiano Mateus, 44 anos.

Ele conta que o estabelecimento possui uma caixa d’água de 5 mil litros, volume suficiente para garantir o funcionamento do empreendimento durante seis dias. Apesar de o rodízio prever água nas torneiras a cada 24 horas, regiões mais elevadas da cidade, como a que ele está, podem ficar desabastecidas.

“E é isso que vem ocorrendo sistematicamente. A última vez em que recebi água da rua foi na quinta-feira passada”, revela. Ontem, a reserva da caixa d’água se esgotou e nova solicitação de caminhão-pipa foi feita ao DAE, sem sucesso.

“Já fiz sete pedidos e nunca tive resposta”, reclama. Para tentar minimizar o transtorno, Mateus tem recorrido às fontes de água públicas do departamento, espalhadas em alguns pontos da cidade. Ainda ontem, armazenou cerca de 70 litros, que auxiliaria na limpeza do estabelecimento e no banho de alguns poucos animais agendados para o dia.

Caminhões-pipa do DAE podem ser acionados por meio do telefone 0800 771 0195, que recebe ligações feitas apenas por telefone fixo, ou 3235-6140 e 3235-6179, para ligações feitas por celular.