09 de julho de 2026
Regional

Entre o coração e a alma, a trajetória de ser médico no interior

Rita de Cássia Cornélio
| Tempo de leitura: 2 min

Ã?der Azevedo

Nos capítulos da obra, autor tenta mostrar o lado sensível do médico

O médico cardiologista, ex-prefeito e atual professor assistente doutor do Departamento de Clínica Médica da Faculdade de Medicina de Botucatu/Unesp João Carlos Hueb lançou recentemente em Macatuba seu primeiro livro. A obra traça uma trajetória da vida do homem, do profissional. Suas frustrações como prefeito, suas alegrias no contato com pacientes e sua maneira de encarar a vida.

A experiência de ser médico no Interior do Estado de São Paulo é o item que ganhou mais espaço no livro. â??Ã? uma experiência muito rica. Nesse período aconteceram muitos fatos dignos de serem registrados. Fatos pitorescos que marcaram a minha vida assim como os tristes que relato com muita emoção.â?

O médico explica que nos vários capítulos da obra ele tenta mostrar o lado sensível do profissional. â??O médico não é aquela máquina insensível. Ele sofre com a dor do outro. Somos muito sensíveis a dor do paciente. Lembrei de muitos casos para escrever o livro. Demorei um ano.â?

A experiência política como o primeiro prefeito eleito no País pelo Partido Verde (PV) não foi esquecida pelo médico. â??Participei da fundação do PV e fui prefeito. Eu traço um relato da minha frustração quanto à política. Eu tinha um sonho de trazer benefícios para os moradores da cidade. No final do mandato fiz um balanço e considerei meu governo ruim. Foi frustrante constatar que não consegui mudar a vida das pessoas. Não porque eu não tenha realizado obras, mas porque os moradores continuaram com os mesmos sofrimentos e problemas.â?

Um paralelo entre a atividade médica, solitária de um consultório e vida do professor universitário da Unesp é outro item contado na obra. â??Quando fui para a universidade me senti culpado por ter abandonado o consultório e meus pacientes. Tive que retornar ao atendimento, de forma voluntária em um asilo.â?

Para se livrar da angústia que ele sofria por ter â??abandonadoâ?? seus pacientes, o médico passou a fazer os atendimentos gratuitos toda quarta-feira das 18h às 22h, no asilo de Macatuba. â??Me livrei do sofrimento. Ã? gratificante conseguir estabelecer uma nova relação médico paciente. Adotei um novo modo de atendê-los. Eles sentam ao meu lado e nossa relação é muito próxima.â?

No livro esse episódio está descrito no capítulo 20, denominado â??O Reencontroâ?. Ele conta que decidiu montar um consultório para quem o procurasse, sem necessidade de pagamento ou convênios.

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