A renda gerada pelo trabalho nas cooperativas de materiais recicláveis é responsável pela sobrevivência da maioria dos cooperados e seus dependentes. Boa parte destes trabalhadores são arrimo de família.
Em Bauru, 59 pessoas trabalham nas três cooperativas: 13 homens e 46 mulheres. Mensalmente, dependendo das horas trabalhadas e da produção do período, o salário de cada um pode variar de R$ 800,00 a R$ 1 mil.
“Eu, por exemplo, consigo pagar as parcelas de um terreno que comprei com o salário deste trabalho. Antes, eu trabalhava como cuidadora, porém, sem formação, não conseguia muita coisa. Uma tia me falou da cooperativa e gostei”, relata Michele de Oliveira, 26 anos, cooperada da Cooperbal, Vila Dutra.
‘O papel me ajuda a sobreviver’
Embora a maioria dos trabalhadores das cooperativas seja composta por mulheres, a idade dos trabalhadores varia bastante. Pensionista do INSS, dona Benedita Gonçalina tem 63 anos de idade e encontrou na lida diária da Coopeco, Ferradura Mirim, um reforço importante para o orçamento familiar.
Por causa da idade, ela trabalha sentada separando apenas os papéis. “Sou pioneira na Coopeco e isso aqui me ajuda muito. Como pensionista, eu ganho pouco, e um empréstimo atrapalhou toda a minha vida. Por isso, o salário vindo do lixo me ajuda a sobreviver e a ajudar minha família”, garante.
‘Na minha casa está tudo novinho’
Carlina Belmiro, 60 anos, trabalha na cooperativa do Jardim Redentor, a Cootramat, há 12 anos. Antes disso, ela era empregada doméstica. “Eu não conseguia ter as coisas que eu tenho agora. Prefiro minha vida hoje”.
Segundo Carlina, em casa, o dinheiro do rateio das vendas das embalagens recicláveis é responsável pelas compras do supermercado e organização do lar. “Eu comprei móveis porque, com salário garantido, posso fazer e pagar as prestações. Em casa está tudo novinho”, afirma.
Aumenta a quantidade, cai o preço
Há alguns meses, faltava material reciclável para o trabalho das cooperativas. Entretanto, a partir deste mês, a tendência é de aumento na quantidade de material reciclável que chega aos galpões. De acordo com os responsáveis pelas cooperativas, isso se deve ao preço do quilo, que despenca por causa da maior oferta de embalagens (devido ao aumento do consumo), o que desestimula o trabalho dos catadores de rua com carrinhos e carroças, sobrando mais lixo para as cooperativas.
“Para se ter ideia, o quilo do papel, que já chegou a R$ 0,40, hoje não é vendido por mais de R$ 0,28. O preço volta a subir a partir de março, quando as cooperativas têm o seu abastecimento reduzido”, explica o diretor administrativo da Cootramat, Jardim Redentor, Valmir Moura.