O mais assustador nesta última eleição presidencial, ou o que ficou mais evidenciado a meu ver, foi o grau de ignorância e preconceito estampado nos meios de comunicação.
A transformação do PT em objeto de escárnio, perpetrada pelas principais oligarquias e difundida pelas diversas mídias do país, com fins políticos e, por que não dizer, econômicos de dominação, teve como efeito colateral o enorme preconceito social que veio à tona. Isso tudo nas vozes de pessoas ignorantes; ignorantes no sentido de desconhecerem ou não se preocuparem com a verdade com o fato e se deixarem conduzir pela aleivosia dos que fazem da informação (falsa) um instrumento de alienação e controle. A raiva demonstrada ao povo brasileiro das regiões norte-nordeste, e também aos mais humildes de maneira geral, através de diversas mídias, com discursos a favor da divisão do país, me deixa por demais consternado, e deveras preocupado.
A "solução final" pensada e executada pelos nazistas foi precedida de ações de propaganda com intensa depreciação das minorias, tais como ciganos, deficientes mentais e principalmente judeus. Era necessário preparar a opinião pública para o que viria a seguir, e todos sabemos o que se seguiu! A desconstrução da família, da educação e a pobreza cultural nos canais abertos de televisão colaboram imensamente para a ocorrência destas demonstrações de profunda ignorância, preconceito ou, em outra hipótese, de maldade deliberada.
No livro de Viviane Forrister, "O Horror Econômico" (1998 Ed. Unesp), a autora traça um perfil do neoliberalismo como plataforma política, onde ela o compara ao nazismo, só que politicamente correto. O principal articulador para o sucesso na implantação das ideias nazistas junto ao povo alemão foi Goebels, seu ministro da comunicação. Uma mentira dita várias vezes acaba por se tornar uma verdade; já dizia ele. Pessoas até hoje defendem que o holocausto não existiu. Estão fabricando preconceitos onde deveria haver parcimônia e coerência de ações corroboradas pela ética e a moral social. Em tempo: o plantio é opcional, mas a colheita é obrigatória.
Professor José Reginaldo Furtado ? membro da ABLetras