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No beijo tocam-se mucosas, peles, dedos, nariz, pelos e cabelos |
Você pode fazer, mas na hora de falar vai ter dificuldades em conceituar o que é sexo! Percebo isto em palestras e cursos para os mais variados tipos de públicos nacionais e em outros países. Sexo é um conjunto de atos e fatos humanos para se ter prazer ou demonstrar amor e se tem mais do que duas modalidades. Gênero nos diz se somos mulheres ou homens anatomicamente e pode ser masculino e feminino.
Sexo pode ser feito sozinho, com outra e até com várias outras pessoas, quando se diz grupal e apelidado de orgia ou suruba. Sexo também pode ser virtual na net ou presencial quando se tem a carne e osso. Sexo pode ser praticado com objetos e até com bonecos.
O sexo pode ser entre homens, mulheres e, até, homem e mulher. Acho um desrespeito à individualidade se pedir para colocar na ficha de hotel qual o tipo de sexo que você gosta de praticar. Geralmente tem dois quadradinhos: feminino e masculino. Se fizer um “x” no quadradinho masculino é por que prefere fazer sexo com homens, se colocar no quadradinho feminino, com mulheres! Cuidado. Ninguém consegue mostrar o seu sexo, a não ser atores de sexo explícito. Não se consegue mostrar, pois sexo é uma prática em que se usa muita coisa: boca, língua, mãos e dedos, pés, pele, seios, mamilos, roupas, cintos, sapatos, brinquedos, ânus e até o pênis e a vagina, que são também conhecidos como órgãos sexuais.
No sexo se usa de tudo, não apenas os órgãos sexuais: pênis, vagina e muitas outras partes. Praticar sexo com camisinha protege a parte recoberta, mas as demais como boca, língua, dedos, mãos, pele, olhos e outras ficam em contato com saliva, sangue dissolvido, suor, lágrimas, esperma, secreção mucosa vaginal e anal. Elas podem ficar debaixo das unhas, nos cabelos, sobrancelhas, cílios, pelos e nas rugas e dobras. Ficam gotas e partículas nas roupas, sapatos, cintos, joias, relógios, pulseiras, aneis, bolsas, canetas e nos celulares. Nem estou falando do sabonete, escova de dente, pentes, shampoos, cremes e presilhas. O ato sexual é muito mais do que o simples encaixe de pênis e vagina!
CONTÁGIO
Na boca temos bilhões de bactérias, trilhões de vírus e milhões de fungos e parasitas. A pele tem milhões a menos, mas são muitos milhões ainda! Beijar na boca é trocar bilhões destes microrganismos junto com saliva, saburra da língua, células descamadas e restos alimentares. É muita confiança e intimidade beijar boca na boca.
Colocar a boca em outras partes do corpo implica em trocar os microrganismos de outras partes com ela. Depois da relação sexual pode se dizer que na boca, pele, nariz, pênis, vagina, mãos, dedos e unhas temos o outro na forma de micropartículas com células descamadas, secreções, cosméticos e seus microrganismos como os vírus, bactérias, fungos e parasitas.
Depois da relação sexual, depois da despedida, temos o outro em nós, não só em sentimentos, mas em micropartículas!!!!!! Muito romântico, mas pode ser perigoso! Isto fundamenta porque a Organização Mundial de Saúde define promiscuidade como a situação em que uma pessoa tenha mais de dois parceiros por ano! Isto mesmo, mais do que dois parceiros ao ano significa alto risco para obter uma doença sexualmente.
Bactérias da sífilis e vírus do herpes, Hpv e Aids não conseguem viver fora do corpo em ambientes secos. Sobrevivem em gotas e áreas úmidas de secreções no corpo e objetos. Depois de secas, estes microrganismos tendem a morrer. Pessoas saudáveis podem tê-los na saliva normalmente. Carinhos e beijos fazem parte do sexo!
O termo Doenças Sexualmente “Transmitidas” sugere que passivamente ou “sem querer” se adquiriu a doença como vitima do azar. O termo Sexualmente Obtidas tira a ideia de passividade em receber a doença. Quando se pratica o sexo opta-se por correr o risco em obter uma doença: resulta de atitude e postura ativas.
Evitar doenças sexualmente obtidas pode ser com camisinhas e outras formas ensinadas nas escolas e mídia, mas o que tem mais efeito preventivo é valorizar o próprio corpo e ser altamente seletivo ao escolher alguém para ficar! O ato sexual inicia-se com um olhar e termina, de fato, muitos dias depois, não é só encaixe: nele tudo é obtido e conquistado ativamente, e que seja consciente!
Observatório
Gays – Em Campinas, estudo da Fiocruz com 600 voluntários e publicado na “PLoS ONE” revelou que os homossexuais têm: 7,6% HIV, 11% vírus da hepatite B e 10% bactérias da sífilis. Isto é 10 vezes mais do que a população geral. A contaminação de dois subtipos carcinogênicos de HPV se revelou muito alta. A razão não sugere que seja pelo sexo anal, mas pelo maior número de parceiros.
Calvície – Testosterona leva à calvície hereditária resultante do afinamento dos fios e atrofia da raiz. Alguns remédios estabiliza a queda, mas não o que foi perdido. Muitos “novos” tratamentos são propostos, mas os resultados carecem de comprovação científica.
Alberto Consolaro é?professor titular da USP - Bauru. Escreve todas as segundas-feiras no JC.
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Email: consolaro@uol.com.br