A decisão da 3.ª Turma do Tribunal Regional do Trabalho (TRT) de Campinas, na última semana, favorável à penhora do Ginásio Panela de Pressão para o pagamento de dívidas trabalhistas do Esporte Clube Noroeste não gera preocupação imediata nos dirigentes do Paschoalotto/Bauru Basket e do Concilig/Vôlei Bauru, modalidades que usam o espaço, locado para a prefeitura até 2016.
Atualmente, o Noroeste (com a ajuda de empresas parceiras) paga R$ 11 mil relativo a parcelamento de dívida de IPTU, após penhora do valor de aluguel da Panela, em maio, para que o ginásio possa ter o contrato de locação com o município.
Com dezenas de ações na Justiça Trabalhista, o Noroeste corre agora iminente risco de perder parte de seu patrimônio. A ação que chegou à segunda instância no TRT onde houve a decisão pela penhora – e se necessário, um leilão – é a do zagueiro Gabriel Bordin, o Magrão, revelado pelo Alvirrubro, e defendido pelos advogados Filipe e Thiago Rino, ex-vice-presidente e ex-diretor jurídico do clube, respectivamente, nos quatro primeiros meses de gestão do ex-presidente Anis Buzalaf Júnior. Há uma cláusula no Estatuto do Noroeste que prevê a inalienabilidade do Complexo Damião Garcia, porém, a decisão do TRT entende que a questão trabalhista transcende a questão e pode derrubar a cláusula.
O gestor do Noroeste, Toninho Gimenez, explica que uma reunião hoje com o Departamento Jurídico vai selar a decisão do clube sobre o assunto. “Vamos avaliar se é viável recorrer ou não. Isso tem um custo. Talvez, o leilão possa ser a solução, o ginásio não agrega nada ao clube hoje, mas será uma pena perder patrimônio”, avalia Gimenez. “O valor arrecadado em um eventual leilão é difícil de ser estimado, depende de uma avaliação. Mas pode chegar a R$ 3 milhões. Pagaria essas dívidas trabalhistas”, pontua.
A situação financeira do Noroeste, no momento, não permite grandes manobras, afirma o dirigente. “O apoio da cidade é mínimo. Hoje só existem três empresas que nos apoiam com um valor maior, que são o Grupo Cidade, a Tudor e a Tel. Temos mais alguns patrocínios menores e, na soma, nossa receita gira em cerca de R$ 90 mil, e a despesa está nessa faixa também, incluindo oito ações em que fizemos acordo e estamos pagando mensalmente”, cita. “Para o ano que vem, precisamos que essas empresas continuem conosco, e vamos fazer parceria com algum clube grande para ter jogadores na Quarta Divisão”, revela.
Modalidades
Diretor do Grupo NP, patrocinador máster do Bauru Basket, o empresário Rodrigo Paschoalotto demonstra tranquilidade com a penhora do ginásio. “A curto prazo, não nos preocupa. É uma questão que envolve diretamente o Noroeste. Se por acaso o ginásio for a leilão, o que vale mesmo é o terreno, porque a Panela é muito antiga, é um prédio velho. E não é tão simples pensar que alguém vai arrematar o ginásio em um leilão”, menciona. A médio prazo, Paschoalotto visualiza a construção da Arena Bauru como solução para a cidade, na avenida Nações Norte. “É a saída. E há o projeto porque a nossa empresa financiou, e a Assenag fez o concurso para escolher um. Agora o município precisa buscar verba de fora”, comenta.
Já o diretor do Grupo Concilig (patrocinador máster do voleibol feminino), o empresário Rodrigo Mandaliti pede que haja bom senso. “Hoje, a Panela de Pressão é a principal praça de esportes de Bauru. Então é preciso que o bom senso prevaleça. O que não pode é ficar sem ginásio para jogar”, lembra.
Os demais ginásios de Bauru não atendem a requisitos como capacidade mínima e pisos específicos para uso em competições federadas estaduais ou nacionais. A Associação Luso Brasileira está construindo um ginásio em sua sede campestre, porém, ainda sem prazo para conclusão. “Ainda não dá para dizer quando ficará pronto”, disse o presidente da Luso, Adriano Pucinelli.
Semel
Apesar de ter alugado a Panela até 2016, a prefeitura está ‘de mãos atadas’ na situação. “Vou conversar com o Toninho (Gimenez, diretor do Noroeste), pois é um momento em que empresários e noroestinos precisam se unir para manter o clube”, enfatiza o secretário de Esportes de Bauru, Roger Barude. Questionado se, em caso de leilão, a prefeitura seria um potencial comprador, Barude não descarta a hipótese. “Não conversei com o Rodrigo (Agostinho, prefeito). Na verdade é complicado imaginar que apenas uma parte do Complexo possa ser penhorada. Mas se por acaso acontecer um leilão, que é uma última hipótese, o município pode se interessar em comprar. Mas é só uma hipótese”, afirma.
Sub-20
Após a saída do técnico José Pachani para o futebol potiguar, o gerente de futebol Luciano Sato foi confirmado como treinador da equipe sub-20, que disputa neste mês os Jogos Abertos, enfrentando Santos e Franca na primeira fase, e que também está confirmada na Copa SP de Futebol Júnior, em janeiro. Bauru será uma das sedes, mas os grupos e a tabela ainda não foram definidos.
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Éder Azevedo |
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Ginásio inaugurado em 1956 pode sair das mãos do Noroeste para sanar dívidas trabalhistas |