08 de julho de 2026
Geral

Interesse em se tornar padre cresce

Marcele Tonelli
| Tempo de leitura: 4 min

Quioshi Goto

Bruno Aguiar de Oliveira, Anderson Luís Moreira e Camilo da Silva Mattos serão ordenados hoje

O primeiro formou-se em química e trabalhou durante anos em um laboratório na região. O segundo atuava como advogado criminalista. E o terceiro nunca nem sonhou ligar seu futuro à vida religiosa. O que essas três pessoas com passados tão distintos têm em comum? Após entrarem para o seminário e passarem cerca de oito anos estudado teologia, filosofia e a religião católica, eles serão ordenados diáconos em uma cerimônia, hoje, em Bauru (leia mais ao lado). E, daqui a um ano, poderão receber a ordenação para, enfim, tornarem-se padres.

Nos últimos três anos, a Diocese de Bauru, que abrange outras 13 cidades, viu o número de interessados em entrar para os seminários dobrar, de dez para 20.

E os motivos, segundo explicam o bispo dom Caetano Ferrari e o reitor de um seminário de Bauru, padre Gustavo Natividade, tem relação também com o que tem aumentado o interesse de forma geral pela igreja católica: a Jornada Mundial da Juventude (JMJ) – realizada no Brasil em 2013 – e o carisma do atual líder da igreja católica, o papa Francisco.

“Entre as décadas de 70 a 90, nossos seminários ficaram fechados justamente por falta de interessados. É muito gratificante ver que tudo mudou. A igreja ganhou um novo impulso”, pontua o bispo Dom Caetano. “Mesmo que a maioria dos seminaristas acabe não seguindo o seminário até o fim”, ressalva o bispo.

“A nossa missão não é só formar padres, mas sim cidadãos cristãos e lideranças religiosas”, completa o padre Gustavo.

Déficit

Atualmente, a Diocese de Bauru possui um défict de até dez padres. Dos 20 seminaristas inscritos, geralmente 20% concluem os estudos – formação em teologia e filosofia e oito anos de vivência dentro de um seminário - e recebem o sacramento da ordem em primeiro grau, que é o diaconato.

Ao tornar-se diácono, com a permissão do bispo, o vocacionário fica autorizado a realizar dois dos sete sacramentos da igreja católica: do matrimônio, do batismo.

Após cerca de um ano de atuação, ele pode enviar uma nova carta ao bispo solicitando a ordenação do presbiterato, onde torna-se padre e passa a celebrar outros três sacramentos: o da eucaristia, da confisão e da unção dos enfermos.

O terceiro grau da ordem católica, que é o episcopado, só pode ser atingido por meio de indicação. Ao tornar-se bispo, o vocacionário  fica responsável por mais dois sacramentos: o da crisma e também o da ordenação.

Expectativa

E a expectativa dos três vocacionários que deverão ser odernados diáconos hoje é exatamente chegar ao segundo grau da ordem.

Simultaneamente ao seminário, os vocacionados fazem estágio pastoral nas paróquias.

Após o término dos estudos de filosofia e teologia, o chamado ano pastoral intensifica a vivência do futuro diácono na comunidade e seu aprendizado prático junto ao pároco, em termos administrativos e pastorais.

“É nas paróquias e comunidades que vai se formando o padre que nós seremos no futuro. Por isso o nosso contato pastoral com o povo, lideranças e agentes é fundamental”, avalia Anderson Moreira, 35 anos.

Já Bruno de Oliveira, 45, destaca a importância do acompanhamento do dia a dia de um sacerdote. “O padre Wellington Supriano (Paróquia Santa Luzia, Duartina) muito me ensinou com a sua dedicação e simplicidade”, exemplifica o futuro diácono.

Além do aprendizado, essa é uma fase de muitas expectativas, como conta Camilo da Silva Mattos, de 34 anos. “Viver esta preparação para minha ordenação diaconal significa muito, pois me preparo para o momento mais importante da minha história. De toda a minha vida”.


Abdicar

Assim como qualquer escolha na vida, tornar-se diácono ou padre também implica em abdicar. A distância da família e a impossibilidade de casar e ter filhos são algumas das principais restrições.

Mas que, para eles, já não são encaradas de forma negativa. “A distância da família pesou no início”, comenta Camilo da Silva Mattos.

“A saudade dos amigos também foi difícil no início, mas você aprende a lidar com isso tudo”, reforça o seminarista e químico Anderson Luís Moreira.

“Eu neguei em um primeiro momento. Sempre tive namoradas, frequantava festas, mas as orações dentro do grupo de jovens foram mais fortes. Hoje, eu não me vejo fazendo outra coisa”, completa Anderson.

Compartilha da mesma sensação o seminarista e advogado Bruno Aguiar de Oliveira. “Eu também demorei para entender que o chamado de Deus não era para o matrimônio”.

Mais novo do grupo, Camilo guarda grande expectativa diante do diaconato. “Nunca tive proximidade com a igreja, mas me sentia perdido. Aos 18 anos, comecei a frequentar com uma tia e descobri que aqui era o meu lugar”, frisa.

Ordenação diaconal dos três será hoje, às 19h30, no Santuário Diocesano do Sagrado Coração de Jesus, que fica na rua Benedito Moreira Pinto, quadra 7, do Jardim Panorama, em Bauru.