08 de julho de 2026
Tribuna do Leitor

Alunos ricos


| Tempo de leitura: 1 min

Sobre carta de leitora (Beatriz Campos ? JC de 14/11) julgando que o acesso dos ricos às universidades públicas é uma forma de se fazer justiça por pagarem a "maior parcela de imposto de renda do planeta", há que lembrar-se que a maciça captação de recursos do governo é da população em geral, que deixa quase metade de seus gastos nas compras, incluídos produtos de primeira necessidade como alimentos, remédios e materiais escolares (houve reportagem recente) para as burras do governo. Na arrecadação dos impostos de renda, levam, desde a classe média baixa, de onze a vinte e sete por cento dos ganhos. Claro que os ricos pagam, mas têm mais recursos para deduções, além de se livrarem de impostos sobre fortunas que países de primeiro mundo costumam cobrar.


Aqui, promessa antiga que nunca pegou. Antigamente, coisa de quarenta ou mais anos, excelentes escolas públicas de nível médio serviam predominantemente aos mais abastados. Agora melhorou, ficando apenas as universidades sujeitas ao predomínio dos mesmos. As escolas referidas - nível médio - estão bem populares, mas os governos, pelo menos os que atuaram nesta província, cuidaram bem de sucateá-las. Afinal, nunca esquecer-se que o maior instrumento para engessamento das castas sociais (será que os políticos têm interesse?) é a baixa qualidade da educação pública. É bem lembrar que os ricos procuram as universidades públicas pela qualidade superior, e não pelas mensalidades, que lhe são irrelevantes, bem como a "justiça" com a consequente desoneração. A referida pesquisa da FGV vem mostrar, especialmente, que estamos ainda no terceiro mundo.

José Dorneles Costa