09 de julho de 2026
Esportes

Kung Fu: aventura chinesa

Thiago Navarro
| Tempo de leitura: 3 min

Pela terceira vez, o bauruense Richard Leutz competiu no maior evento de kung fu do mundo, realizado a cada dois anos no tradicional Templo Shaolin, na cidade chinesa de Zhengzhou. Realizado no último mês, o “10th Zhengzhou China International Shaolin Wushu Festival” reuniu milhares de competidores dos mais diversos países, como China, Rússia, Índia, Suíça e Itália, além de sul-americanos, como os brasileiros.

Responsável pela Associação Garra de Tigre de Kung Fu/Semel, Leutz embarcou para o outro lado do planeta na companhia de Ghiedree Ramos, sua aluna na Associação Garra de Tigre, e Cristiano Silva, professor e atleta de kung fu de Araçatuba. Ghiedree disputou na categoria Soft Weapons, e Cristiano na categoria mãos livres e leque. Ambos obtiveram a medalha de bronze.

Já Leutz ficou com a medalha de prata na categoria mãos livres, e em terceiro na arma dupla. “Até me surpreendeu o resultado, pelo tempo que tive de treino esperava o inverso. Estou há dois anos treinando com facão duplo, e mãos livres peguei para treinar há mais ou menos um ano. Mas foram bons resultados, sem dúvida”, destaca Richard Leutz, um dos precursores do kung fu bauruense.

Treinamento e comida

Após o fim do campeonato, Ghiedree e Cristiano seguiram para Pequim, onde conheceram pontos turísticos importantes da capital chinesa. Já Leutz foi para o Sul da China, em Foshan, onde treinou com o Grão Mestre Lan Chun Sing por quatro dias. “Durante a competição em Zhengzhou, minha alimentação no hotel era relativamente normal, comia frutas e tomava leite. Mas quando fui para esse período de treinos em Foshan, aí a alimentação mudou bastante. E as comidas típicas de lá tem um gosto muito ruim para o nosso paladar”, afirma.

Leutz explica que o tempero bastante diferente é o grande empecilho para os brasileiros. “Eu sou vegetariano, então isso acabou ajudando um pouco. Mas no geral a comida tem um tempero bem forte e molho. Fiquei em um local bem simples nesses dias, o detalhe é que era um beliche sem colchão, isso depois de treinar de oito a dez horas por dia. Perdi alguns quilos”, revela. Depois da estada no Sul, o bauruense foi a Pequim, onde encontrou os outros dois brasileiros, passaram mais alguns dias por lá e retornaram no começo de novembro ao Brasil.

“Quando cheguei em Pequim, aí consegui comer melhor, pois lá existem franquias de restaurantes ocidentais”, relata. Sobre o fato dos chineses comerem insetos, informação muito difundida no Brasil, o lutador pondera. “Realmente, há alguns locais onde você vai e vendem insetos, e muita gente compra para fazer chá, alguns comem também. Mas nas cidades maiores os restaurantes convencionais já dominaram, qualquer franquia como o McDonalds está lotada 24 horas por dia em Pequim. Os chineses que possuem uma condição financeira melhor já não comem pratos tão exóticos”, menciona.


Vigilância no aeroporto

Os três brasileiros embarcaram no Aeroporto Internacional de Guarulhos, e antes de chegar à China, fizeram escala na Etiópia, país do leste africano. Apesar de não estar no foco da epidemia de ebola (que atinge, principalmente, nações da parte ocidental da África), o controle sanitário era rigoroso, tanto na Etiópia como no desembarque em Pequim. “Mediam a temperatura de todos os passageiros, isso na África e depois em Pequim. Na volta, fizemos o mesmo trajeto, parando na Etiópia, e no desembarque no Brasil não houve o mesmo rigor. Aqui só havia um aviso em Português para que, se alguém estivesse com sintomas como febre e mal-estar, para procurar um serviço de saúde. Mas sem medição da temperatura. A Etiópia, que é um país bem mais pobre que o Brasil, estava controlando melhor essa entrada de passageiros”, comenta Richard Leutz. Ao todo, o voo do Brasil até a China durou cerca de 26 horas, sem contar o tempo de escala na Etiópia.