Muitos figurões de ternos claros e caras sisudas saberão o que é isso: ir em cana. Está acontecendo. Engaiolados. A fase denominada Juízo Final da operação Lava Jato da Polícia Federal não foi de brincadeira: prisões sequenciais naquela que, segundo o jurista Walter Maierovith, é a maior mobilização oficial contra a corrupção da história no Brasil.
Não é pouca coisa já que, ontem mesmo, foram aí completados os exatos 125 anos da República. Estaria no fim o país da impunidade pelos braços fortes da punição a corruptos e corruptores ligados à Petrobras? Poderão ministros e líderes ter a capacidade de administrar a crise dentro do governo?
Após sétima fase de investigação, deflagrada com quase 20 das 85 prisões pretendidas pela PF, agora caberá ao Supremo a missão do desfecho em colarinhos brancos a partir de provas. É que vale lembrar que políticos têm o chamado privilégio de foro e só serão investigados exatamente com a autorização do STF.
E a CPI mista da Petrobras, como ficará no meio desse turbilhão? Terá também a oposição maturidade, mesmo com telhado de vidro fino, para lidar com tantas circunstâncias explosivas ao mesmo tempo?
Tudo o que foi iniciado pela PF no Paraná em março, pelo jeito, terá sucessivos desdobramentos. Só em lavagem de dinheiro seriam R$ 10 bilhões. Aliás, dá para se perder nas cifras, já que fraudes e propinas ? em outra ponta do caso ? podem ter rendido contratos superiores a R$ 50 bi ao cartel de empresas suspeitas. Estaríamos vendo a extinção da República das Bananas?
Tudo isso ainda vai longe e é lógico que muita coisa deve enjoar no mar de interesses. Mas, mesmo que desacelere, o que não falta é combustível para que sigam as investigações e as prisões. Pode nem ser a jato, mas vai lavar.
O autor é editor executivo do JC