10 de julho de 2026
Tribuna do Leitor

Policarpo queria inteiro, e não pela metade


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Dois fatos ocorridos na semana passada me levam a fazer uma divagação sobre as possibilidades do fim da corrupção nesse país: quase nenhuma. A Operação Lava Jato deve ser mesmo histórica e marcar época, assim como aqui em nossa aldeia bauruense a operação para desvendar, esclarecer e punir todos (todos mesmo) os envolvidos com o Mensalão da Saúde, expropriação na AHB, via gente indicada pelo deputado estadual eleito e reeleito. Guardadas as devidas proporções, o escândalo bauruense é tão ou mais nefasto que o do Petrobras. E como a corrupção está mais do que disseminada em todos os partidos, segmentos e possibilidades, faço o seguinte questionamento para tudo e todos: queremos mesmo acabar com a podridão do atual sistema?

Tento eu mesmo responder, ao meu modo e maneira. A solução é somente uma, mudar tudo e de forma radical. Não existe mais reforma, conserto, depuração, ajuste, arranjo ou qualquer outro subterfúgio contemporizador. De nada adiantarão, pois tudo continuará como dantes, sendo praticado por quase tudo e todos, sempre, é claro, com mais cuidado e zelo. A solução está fora do regime capitalista, mas como isso nas atuais condições é praticamente impossível, basta de remendos. Vejam o que está a ocorrer na Espanha, onde o partido "Podemos" é o que de mais sensato e salutar pode ocorrer para devolver aquele país à normalidade. A possibilidade deles parece bocadinho mais difícil de ocorrer (se é que lá ocorrerá) por aqui.

Certa vez, li quando prenderam o banqueiro Daniel Dantas e queriam abrir o tal disco rígido do banco Opportunity, que se o mesmo fosse aberto a República cairia. "Não restaria pedra sobre pedra", diziam, e assim o mesmo permanece lacrado até hoje. Nessa questão da Petrobras e mesmo aqui da AHB, vão ser pegos uns miúdos, mas imaginem reverter a coisa, como está sendo feita no caso da Portuguesa de Desportos. Não basta punir o dirigente da Lusa que recebeu para seu time cair e não punir quem pagou para isso ocorrer. Quem pagou e quem, dentro da estrutura da CBF, aceitou o jogo, sabia de tudo. Puniu só a portuguesaiada, vai ser outro escândalo. Será que os bandidões mesmos vão continuar impunes?

Para pegar mesmo algo mais, precisariam ser colocados no banco dos réus os tais empreiteiros que agora estão sendo presos, mas não somente por causa do ocorrido na Petrobras. Eles precisariam contar todo o ocorrido até então, desde quando fazem esse tipo de jogo, quando começou, um histórico abrangente, pois é mais do que sabido que isso não começou agora e nem vai acabar assim, de uma hora para outra. Deve ter muita historinha envolvendo tudo quanto é tipo de graúdo desse país. Daí, sim, acho que o Policarpo Quaresma iria se sentir gratificado e teria seu sonho realizado, como insinua Zarcillo Barbosa aqui mesmo no JC de 16/11/2014. A verdadeira delação premiada poderia ser iniciada com esses e seus segredinhos de alcova. Ficar interrogando aqui em Bauru os que receberam a bufunfa não basta. Precisaria ser feito o mesmo com quem a distribuiu. O mesmo no caso Petrobras, Metrô Paulistano, Mensalão Mineiro, Viaduto Inacabado etc. Afinal, precisamos saber: é para resolver tudo no varejo ou no atacado? É o que veremos.

Henrique Perazzi de Aquino ? jornalista e professor de História (www.mafuadohpa.blogspot.com).