11 de julho de 2026
Economia & Negócios

Expediente no fim de semana faz crescer rotatividade no emprego

Cinthia Milanez
| Tempo de leitura: 3 min

Trabalhadores efetivos e temporários que ocupam vagas operacionais, ou seja, que têm de cumprir expediente também aos finais de semana, não param muito tempo no mesmo emprego. A análise é de profissionais de recursos humanos (RH). Eles avaliam que a tendência se intensificou de dois anos para cá. Falta de comprometimento dos funcionários e baixo incentivo das empresas seriam as principais causas dessa rotatividade.

O JC consultou analistas de duas empresas de RH sediadas em Bauru e ambas convergiram para a mesma opinião. De acordo com Juliana Torres Gimenez, analista de uma delas, muitos funcionários trocam de emprego por vantagens pequenas no expediente aos finais de semana, já que a oferta de vagas na área operacional corresponde a mais da metade das demais. “Eles recebem ofertas para trabalhar dois finais de semana por mês e não três, como no antigo emprego”, justifica a analista.

R$ 50,00 a mais

Aline Fernanda Maiolo concorda com a opinião da colega. “Muitos trocam de emprego por conta de R$ 50,00 ou R$ 60,00 a mais nos salários”, exemplifica. Diante disso, esses trabalhadores não ficam muito tempo desempregados, mas também não se fixam no mesmo emprego. Essa instabilidade leva à falta de quaisquer perspectivas de avanço na carreira.

E não é apenas os finais que semana que “espantam” os trabalhadores. Para Aline, existe até um horário específico que provoca a desistência em menos de três meses de trabalho. “Eu sinto que os candidatos aceitam as vagas para o período das 14h às 20h, inclusive aos sábados e domingos, mas abandonam em pouco tempo”, diz a analista. Muitos deles alegam estar em busca de mais qualidade de vida (leia mais abaixo).

Soluções

Enquanto as analistas de RH acreditam que as escolas e famílias têm o dever de ensinar comprometimento às crianças para que consigam se fixar em um emprego, o presidente do Sindicato do Comércio Varejista de Bauru e Região (Sincomércio), Walace Sampaio, defende que as pequenas empresas concedam alguns benefícios, como a Participação nos Lucros e Resultados (PLR), para atrair o interesse dos funcionários.

“As médias e grandes empresas já deram início ao procedimento. Porém, as pequenas ainda estão relutantes. É importante que os funcionários recebam alguns benefícios, porque custaria bem menos do que os treinamentos constantes de novos trabalhadores”, argumenta o presidente do Sincomércio.

Sampaio acrescenta que o benefício não é uma obrigação dos empregadores, mas sim, uma ótima ferramenta para “segurar” os bons funcionários.


Em busca de qualidade de vida, jovens preferem até fazer bicos a trabalhar nos sábados e domingos

Marcela Monique Galvão de Souza, 20 anos, aparenta ser uma moça descolada e despreocupada. Embora ela tenha começado a trabalhar como atendente ainda adolescente, nunca conseguiu ficar mais que três meses no mesmo emprego. “Não gosto de trabalhar aos finais de semana”, justifica. Sem sequer ter concluído o Ensino Médio, a garota sempre cumpriu expediente aos sábados e domingos, mas agora quer qualidade de vida.

Essa também é a exigência de Danilo Pereira Sales, 24 anos, que trabalha como ajudante de obras desde os oito anos de idade, mas está desempregado atualmente, assim como Marcela. “Eu só aceito um emprego quando não tenho de trabalhar aos finais de semana. Caso contrário, prefiro viver fazendo bicos”, confessa. Já Ivan Martins Romanatto, 22 anos, aceitaria negociar com o empregador.

“Dependendo do que a empresa pagar, eu até aceitaria trabalhar aos sábados, mas não aos domingos”, argumenta o jovem, que ocupava o cargo de conferente de produtos e está desempregado há quase um ano. Ivan só saiu da última empresa, segundo ele, porque não se adaptou ao expediente da noite, além de não ter sido cativado pelo salário que recebia até então.


Médicos

Não são apenas trabalhadores operacionais, como garçons de restaurantes ou empacotadores de supermercados que “fogem” do expediente durante os finais de semana. Conforme o JC já noticiou, a Prefeitura Municipal de Bauru ainda enfrenta dificuldades para recrutar médicos que cumpram plantões extras aos sábados e domingos nas Unidades de Pronto-Atendimento (UPAs). Com isso, é só chegar sexta-feira que o serviço para.