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Éder Azevedo |
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Esperança: ao lado do marido Benedito, Durvalina mostra a certidão de casamento da mãe |
Uma certidão de casamento e o coração de filha guiam Durvalina de Lourdes Aguilar, 55 anos, nos caminhos tortuosos da vida nos últimos anos. Depois de ter sido “tirada” do colo de sua mãe, Aparecida Gomes Aguilar, 76 anos, e ter passado por muitas situações dolorosas, ela procura incessantemente pelo colo materno que ficou perdido na sua trajetória de vida.
Hoje, ela é casada com Benedito Altafim, 65 anos, quem te dá todo apoio e amparo para seguir em frente. Mas já teve outros três maridos, que, segundo ela, a agrediram e a “jogaram” de volta ao turbulento caminho da vida.
A história de Durvalina parece que saiu de um filme ou novela. Das lembranças da mãe, só sobraram os dados de seu RG e a certidão de casamento. A única foto que tinha foi rasgada pelo pai, quando ainda era criança.
Durvalina nasceu em Pirapitinga, um bairro rural de Arealva (41 quilômetros de Bauru). Foi a segunda filha do casal Francisco e Aparecida Aguilar. O primeiro irmão morreu antes de completar um ano.
“O meu pai batia muito na minha mãe. Ele era bem mais velho que ela, tinha ciúme. Quando eu tinha 1 ano e 6 meses, ela fugiu comigo para Santelmo (distrito de Pederneiras) e me deixou na casa de um benzedor. Enquanto fiquei lá, ela foi para Pederneiras para tentar conseguir um lugar para ficarmos”, contou.
Mas o que poderia ser o começo de uma história feliz foi, na verdade, a volta ao pesadelo. Sem saber o que fazer com a criança, o benzedor a devolveu ao pai agressor, que levou a menina para os tios Conceição e Milton criarem. A mãe tentou buscá-la, mas não conseguiu. “Me contaram que o meu pai correu atrás dela com uma foice e ela teve que ir embora”, disse, com lágrimas nos olhos.
14 anos
Durvalina foi criada pelos tios e teve que trabalhar desde os 7 anos no sítio onde morava. Nunca teve oportunidade e ir à escola ou aprender a ler e a escrever. Quando ela tinha 14 anos, sua tia morreu e ela acabou tendo que voltar para a casa do pai, mas, logo, conheceu o primeiro marido e pensou: “quero ser livre deste pesadelo”.
Não era bem isso que o destino estava lhe mostrando. Apesar dos filhos que foram frutos do relacionamento, a convivência com o companheiro foi, mais uma vez, motivo de dor para ela. “Ele foi um pouco de tudo para mim (pai, marido, irmão), mas bebia muito e era agressivo. Com ele, tive os meus primeiros filhos: Luiz Antônio e Antônio Marcos. Vivi 13 anos com ele, mas acabamos nos separando. Fiquei cinco anos sozinha até encontrar meu segundo marido, com quem tive mais dois filhos (gêmeos): Diego e Danilo”. Do terceiro - e penúltimo - relacionamento, nasceram Jonas e Giovani Samuel.
“Eu falo que, de todas as dores que da vida, a parte boa foi minha família: meus filhos e meus netos: Vitória, 8 anos, Heloísa, 4 anos, e os gêmeos Luiz Gustavo e Ana Laura, de 3 meses”, conta Durvalina, hoje casada com Benedito.
Apesar de todo o sofrimento, ela ainda cuidou do pai nos últimos anos. Ele morava em um asilo em Bariri, onde ela conseguiu uma certidão de casamento dele e da sua mãe.
A vida lhe deu uma trégua. Porém, a busca pela mãe continua. Quem tiver notícias sobre Aparecida Ribeiro Gomes (nome de solteira) ou ainda Aparecida Gomes Aguilar (nome de casada), pode entrar em contato com a família através dos telefones (14) 99124-3615 ou (14) 99169-9675 (Dito).
Pistas
A procura pela mãe é algo que caminha junto aos passos de Durvalina. Essa ansiedade lhe rendeu depressão, pressão alta e até um acidente vascular cerebral (AVC), que ainda lhe exige cuidados.
“Nunca deixei de procurá-la. Recentemente fui até em cemitérios e ao cartório de Arealva, Pederneiras e até no Poupatempo em Bauru. Algumas pessoas comentaram que ela se casou, teve outra família e morava no Horto Aimorés. Fui até lá, mas não consegui descobrir nada. Eu tinha uma foto dela, mas meu pai rasgou. Ficou só essa memória da foto: uma mulher alta, morena clara, de cabelos longos e pretos. Meu coração diz que vou encontrá-la.”