08 de julho de 2026
Cultura

Raizeiros!

Wagner Teodoro
| Tempo de leitura: 3 min

O espetáculo “Raizeiros”, que faz releitura da música raiz brasileira em uma homenagem ao trabalho do escritor, compositor e jornalista Cornélio Pires (1884-1958), fundamental para o reconhecimento do gênero no País, será apresentado hoje, a partir das 20h, no Teatro Municipal Celina Lourdes Alves Neves.

No palco, os músicos da Cia. Voz, Vinho e Violão (região de Rio Preto) fazem um show acústico, levando o público a reviver momentos que marcaram a história da música raiz brasileira, acompanhados de um ator que conta um pouco da história do gênero.

Com vozes, violão, violão base, baixo acústico, viola caipira, harpa e percussão, o musical “Raizeiros” resgata um repertório clássico da música raiz, com canções como “Jorginho do Sertão” , “Tristeza do Jeca”, “Vide Vida Marvada”, “Mão do Tempo”, “Menino da Porteira”, “Chalana”, “Pagode em Brasília”, “Boate Azul”, “Amargurado”, entre outras.

Os figurinos do espetáculo são inspirados nas vestimentas do final do século 19 e início do século 20, assinados pela estilista Cássia Guimarães.

O musical é fruto de quatro anos e meio de pesquisa do idealizador Marcos Fabri.

“A gente começou a pesquisar e chegou a Cornélio Pires, que defendeu o caipira durante anos em seus livros e resolveu reunir os cantadores para gravar o primeiro disco. Encontramos o primeiro disco gravado pelo Cornélio Pires, de 1929, com a música ‘Jorginho do Sertão’ nas vozes de Caçula e Mariano. A história da música raiz começa em 1910, justamente com o trabalho de Cornélio”, explica Fabri.

‘Herança’

O idealizador de “Raizeros” destaca que a vontade de resgaste da legítima música raiz também foi fundamental na concepção do espetáculo.

“Eu sou músico há 22 anos e acho que nossa herança da música raiz tomou um rumo muito diferente. Não desmerecendo o crescimento, a tecnologia, a evolução musical, com a linha do universitário, o gênero tomou um rumo diferente”, avalia.

“Eu vejo que morreu a poesia, o ritmo ficou uma mistura de folk com axé. ‘Raizeiros’ nasce deste sentimento e do desejo de ver a boa música novamente”, comenta.

“A minha intenção é mostrar o que chamo de sertanejo clássico, que trabalha com cordas: violão, viola, baixo acústico e harpa, além da percussão”, observa Fabri.

A turnê “Raizeiros” teve início na cidade de Barretos e passa por Bauru e Araçatuba com o apoio do Governo do Estado de São Paulo, Secretaria do Estado e da Cultura (por meio do ProAC ICMS – Programa de Ação Cultural), além de patrocinadores.


Cronologia poética

O espetáculo, de acordo com o idealizador Marcos Fabri, segue uma cronologia poética. “Começo o show com uma música do Rolando Boldrin e Renato Teixeira, que são regionalistas. O narrador comenta sobre estes compositores e fala que vamos começar em 1929. Depois disso, a gente vem mostrando momentos. Como, por exemplo, nasceu a ideia de usar a viola e de onde ela vem. Apresentamos a viola, falamos de Tião Carreiro, que é um marco desta música”, relata. “O ator vai contando os momentos em que aconteceram determinadas mudanças e vamos cantando estas músicas”, acrescenta. O show segue passando por nomes importantes da música sertaneja como Belmonte e Amaraí, Milionário & José Rico e influências que o gênero sofreu. “São músicos que trouxeram estilos como guarânias, polcas do Paraguai, México, Chile, Argentina... Eles fizeram muitas versões de músicas latinas. E são ritmos que se eternizaram em canções, por exemplo, do Trio Parada Dura”, aponta Fabri.

Espetáculo “Raizeiros” hoje, às 20h, no Teatro Municipal (Avenida Nações Unidas, 8-9). Classificação: livre. Gratuito (com retirada na bilheteria a partir das 19h). Informações: (14) 3235-1088 e www.raizeiros.com.br

Divulgação

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