10 de julho de 2026
Articulistas

Consumir ou não consumir, eis a questão!

Reinaldo Cafeo
| Tempo de leitura: 3 min

Cautela é a palavra de ordem entre os consumidores brasileiros. Este comportamento tem motivo: as incertezas quanto ao ambiente econômico. Inflação ainda pressionada. Crescimento econômico baixo. Indefinições no tocante à nova equipe econômica. Crédito caro. Dólar nas alturas. Contas públicas deterioradas. Ingredientes mais que suficientes para deixar não somente o consumidor, mas a sociedade como um todo com atenção redobrada.

O final de ano se aproxima e com ele o natural desejo em consumir. Será que a cautela continuará norteando as decisões dos consumidores? Desde a ceia de Natal, passando pelos presentes inevitáveis, uma eventual viagem, parentes como hóspedes, até as comemorações da virada do ano, tudo remete ao consumo. Por mais que racionalmente o indicativo seja de guardar dinheiro, liquidar dívidas pendentes, enfim, continuar com este comportamento cauteloso, é quase impossível imaginar que o consumidor não irá se render às compras.

Então vem o dilema: consumir ou não consumir? Na prática o consumidor está mais soberano que nunca. Quem fez a lição de casa e chega neste período do ano "capitalizado", ou seja, com recursos disponíveis, fará excelentes negócios. Conseguirão descontos expressivos e bens sonhados ao longo do tempo. Vão desde um carro novo ou usado, passando por televisores, até jóias, chegando aos pequenos presentes.

O lojista precisa vender e vem abrindo mão de margens de lucro mais elevadas. Precisa do giro. Mercadoria no estoque é custo. Infelizmente os capitalizados fazem parte da minoria da sociedade. A grande parte das famílias vem empurrando o saldo de cartão de crédito, atrasando a prestação de compras e financiamentos anteriores e o cheque especial fica descoberto à maior do tempo.

Para estes é fundamental a reflexão: em ambiente de incertezas continuarão "empurrando com a barriga" o enfretamento desta dificuldade financeira? É evidente que a resposta não pode ser outra, senão aproveitar a virada do ano, a chegada do décimo terceiro e ter uma nova atitude para lidar com o dinheiro e em especial o crédito.

Estamos falando de qualidade de vida. Quem consegue ter tranquilidade com pendências financeiras? Somente aqueles que ficaram "viciados" no calote. Não é a realidade da maioria da população brasileira, que presa pelo seu bom nome na praça.

Estamos falando em adequar o padrão de vida com o nível de renda. Não é possível levar em frente o que podemos chamar de "viver fora da realidade". Se a renda é X, o limite do gasto tem que ser um pouco menos que X. É evidente que há um nível de renda que é impossível imaginar que o este X é o suficiente, mas vejo muitas famílias da classe média, com renda mais elevada, gastando mais do que ganham. Pergunto: até quando?

Lidar com dinheiro é mais que econômico, é psicológico e como colocado, sem uma nova atitude para lidar com este suado dinheiro, uma hora a coisa ficará incontrolável.Consumir ou não consumidor? A resposta deve ser dada no limite do que sua renda permite, sem ostentação, com mais simplicidade e acima de tudo valorizando cada centavo, que foi conquistado à duras penas.

O autor é economista e articulista do JC