Dia da Consciência Negra: o que devemos pensar nesta data? Há prostituição desta data que, para nós, deveria ser todos os dias, não somente uma data comemorativa e um feriado, e pior, ponto facultativo.
Lembro-me quando entrei na Universidade Sagrado Coração. Na primeira semana, minha avó foi correndo comprar uma calça branca e uma camiseta toda branca numa das lojas populares do Calçadão da Batista. Logo que entrei no ônibus para ir à universidade, meus amigos começaram a fazer piadas pejorativas. Percebi ali que minha vida acadêmica seria difícil: preto, cabelo enrolado e vestido de branco...
Comecei a perceber algo diferente, pois não tinha professores negros no curso de fisioterapia, a propaganda da universidade excluía negros (conversei com a irmãs e no outro ano uma morena começou a divulgar a universidade,mas somente naquele ano).
Segui os meus estudos e, na minha formatura, num universo de 50 formados havia só três pessoas negras formadas. Hoje estou formado e, graças a Deus, sobrevivi. Estou me sustentando com minha profissão de fisioterapeuta. Trabalhei no Bauru Tênis Clube, onde fiz grandes amigos, sobrevivi no meu consultório (atendendo times de futebol amador e população em geral) seis anos e hoje trabalho, por enquanto, no clube Fortaleza, onde conheci grandes amigos. Posso dizer que estou sobrevivendo neste Brasil de contrastes....
Adriano Queiroz