08 de julho de 2026
Jogos Abertos 2014

Handebol: em boas mãos

Mariana Gasparini
| Tempo de leitura: 4 min

O handebol bauruense vive dois momentos distintos nos Jogos Abertos. Ontem, em partidas pela terceira rodada da Primeira Divisão, enquanto o feminino acabou eliminado, o masculino venceu um arquirrival e garantiu vaga na próxima fase. 

As meninas encararam o Mogi das Cruzes e foram derrotadas por 26 a 20, dando adeus à disputa. Já o masculino protagonizou o primeiro clássico coletivo entre Bauru e Marília. E, no fim, melhor para o time bauruense, que venceu por 28 a 16 e avançou para a segunda fase dcomo segundo no Grupo C, com duas vitórias e uma derrota. A liderança ficou com Ribeirão Preto, que terminou invicto, com três vitórias. “Esses garotos merecem”, destacou, empolgada, a técnica Maria Amélia Theodoro, ressaltando a importância do projeto social que coordena e que garante, entre um passe de bola e outro, muitas histórias de superação de vida, os verdadeiros ‘golaços’ da partida.

A principal responsável por isso, é a própria treinadora das duas equipes bauruenses (masculino e feminino), Maria Amélia Theodoro, de 34 anos. Natural de Avaré, mas em Bauru desde 2003, a técnica chegou à cidade para integrar a equipe feminina da modalidade. Maria Amélia, que joga profissionalmente desde os 14 anos, já havia passado por times como Mirassol, Osasco e São Caetano, mas foi em Bauru que decidiu criar o projeto social Gol de Mão, que difunde o esporte para diversos bairros do município a partir da formação de núcleos de treino nas comunidades. 

Sonho antigo

Destacando que o handebol mudou sua vida, a treinadora de Bauru, diz que sempre teve o desejo de trabalhar com o esporte e transformar outras vidas. “O handebol só me proporcionou coisas boas e eu encontrei, através do Gol de Mão, a chance de continuar trabalhando e ajudando crianças e adolescentes a terem o contato com a modalidade”, declara Maria Amélia, que soma três ouros nos Jogos Abertos.

“Hoje o esporte é a melhor ferramenta para trabalhar o cidadão para o mundo. O faz ser formador de opinião, ser crítico e saber conviver na sociedade respeitando as diferenças”, opina.  

Incentivo

Desde 2003 em ação, a iniciativa soma hoje 12 profissionais e professores, e conta com cerca de 1.300 alunos envolvidos. “Em 2007 recebemos um incentivo maior de empresas privadas de Bauru. E isso nos ajudou a melhorar e expandir o projeto”, conta. As parcerias, a qual a treinadora se refere, são com o Colégio Dom Bosco, que fornece bolsa integral às crianças da categoria de base, e com a Faculdade Integradas de Bauru (FIB), que garante 50% desconto para os atletas.

‘Crias’

Entre os atletas que participam do projeto Gol de Mão, o goleiro Kaique Yuri Lenta, de 17 anos, é um dos que afirmam que o esporte mudou tudo em sua vida. “Eu poderia estar nas ruas, fazendo algo errado. O contato com o handebol me ajudou em tudo. Hoje quero ser um profissional e representar o País nas Olimpíadas. Não me vejo mais fazendo outra coisa”, garante Kaique, que há três anos joga handebol.

Já a meia Aline Silveira de Morais (conhecida entre os amigos como “Véia”), de 23 anos, integra o time feminino de Bauru, mas busca outros caminhos. “Tive propostas para defender o Santos, Itajaí e Sorocaba, mas preferi ficar por aqui e trabalhar com o Gol de Mão. Vou fazer faculdade de educação física para ser professora e ajudar no projeto. Quero dar aos outros a mesma oportunidade que recebi na vida”, explica Aline, que desde 2006 faz parte da inciativa.    


‘Ainda falta investimento’

Feliz por ver seu projeto indo bem e com a participação das equipes de handebol bauruenses nos Jogos Abertos, a treinadora Maria Amélia pondera que ainda falta investimento no esporte.

A exemplo do que declarou a central da seleção brasileira, Deborah Hannah, durante o clássico entre São Bernardo e Santo André (com a vitória para as bernardenses por 22 a 20), Maria Amélia chama atenção para as poucas equipes que participam dos campeonatos de handebol e da duração dos torneios. “Fomos campeões mundiais e, em 2012, a melhor atleta do mundo era brasileira (a ponta direita, Alexandra Nascimento). Mesmo assim, existem muitos times sendo extintos por conta da dificuldade que a modalidade enfrenta. Além disso, os torneios são curtos e não fornecem um grande nível de disputa”, diz.

Educação e esporte

Maria Amélia ainda declara que esportes e educação devem se ‘ajudar’. “Material humano nós temos, mas não conseguimos criar uma base e levá-la até o Adulto. O Brasil precisa de uma política esportiva e cada município deveria ter um trabalho voltado a cada modalidade, da base ao profissional, principalmente através das instituições de ensino para que educação e esportes caminhem juntos”, finaliza.