08 de julho de 2026
Regional

Esgoto é lançado sem tratamento

Marcus Liborio
| Tempo de leitura: 3 min

Três vereadores de Bariri (56 quilômetros de Bauru) entraram com representação no Ministério Público (MP), solicitando a abertura de inquérito civil para a apuração de denúncia contra o Serviço de Água e Esgoto do Município de Bariri (Saemba). A autarquia é acusada de conduzir o esgoto sem tratamento ao córrego São Bento, que desemboca no rio Tietê. 

Os autores do documento encaminhado ao MP são os vereadores Benedito Antônio Franchini (PTB), Wellington Pollonio Bof (PDT) e Ricardo Prearo (DEM). Na representação, contudo, eles alegam que o município tem condições de tratar 100% do esgoto na Estação de Tratamento de Esgoto (ETE), mas as bombas estariam sendo desligadas com frequência, impedindo o processo.

“Em conversa com funcionários da Saemba, apuramos que as bombas responsáveis por fazer o bombeamento do esgoto para as lagoas de tratamento são desligadas todos os dias, geralmente após as 18h, por ordem do próprio órgão”, aponta o vereador Wellington Pollonio.

Ele afirma ainda que o impasse ocorre desde janeiro do ano passado. “Soubemos que ficaram até 23 dias sem ligar as bombas”, aponta.

O vereador Benedito Franchini alega que a denúncia está no MP e que alguns operadores de bomba já teriam prestado depoimento. O Jornal da Cidade entrou em contado com o órgão em Bariri, mas não foi possível localizar o promotor responsável pelo caso.

Superintendente nega

O superintendente do Saemba, Elias Tonsic, explica que todo o esgoto coletado no município chega e vai para uma caixa de concreto, onde possui uma bomba controlada manualmente por operadores, durante o período de 24 horas. O equipamento tem a função de direcionar o esgoto para a primeira lagoa.

“A bomba é ligada e desligada conforme o fluxo de esgoto que chega. À noite, principalmente na madrugada, é gerado pouco volume e então a bomba acaba sendo desligada. Porém, a gente nunca ordenou que ela fosse desligada em outros horários”, defende-se Tonsic.

Segundo o superintende, o esgoto passa pela segunda e terceira lagoas, sendo despejado no Córrego São Bento só depois de tratado. Ele ainda alega que a qualidade do esgoto é avaliada a cada trimestre e que pode comprovar a qualidade do tratamento.

Em relação à denúncia dos vereadores, Tonsic diz que não foi notificado pelo MP. “Até agora não recebi nenhum documento”. Caso seja confirmada a irregularidade, a Prefeitura Municipal de Bariri também será notificada para prestar esclarecimentos.


‘Procedimento para diminuir odor da ETE

Um processo para minimizar o mau cheiro provocado pelo esgoto na cidade pode ter induzido a suspeita das irregularidades no tratamento do esgoto, apontadas pelos vereadores em representação encaminhada ao Ministério Público, é no que acredita o superintendente do Serviço de Água e Esgoto do Município de Bariri (Saemba), Elias Tonsic.

“O procedimento para diminuir o odor da ETE pode ter gerado a denúncia. A cada dois dias despejamos produto químico na primeira lagoa de tratamento, o que surtiu bons resultados, pois não recebemos mais reclamações da população”, explicou.

Ainda segundo Tonsic, as estruturas da ETE apresentam falhas. “Foram instaladas as bombas antes de colocar o gradeamento. Isso acaba sobrecarregando as duas bombas que temos”, criticou, completando que um projeto solicitando verba para melhorias no local já foi aprovado.

“Já temos verba de R$ 125 mil autorizada pela Fundo Estadual de Recursos Hídricos (Fehidro). A prefeitura deve entrar com R$ 17 mil de contrapartida, somando um total de R$ 142 mil a serem investidos na ETE”, finaliza Tonsic .