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Aceituno Jr. |
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Cristina Santos gesticula ao lado de PMs e do marido, Marcelo: pais foram notificados de que as despesas serão cobradas |
No início da noite de ontem, três viaturas da Polícia Militar (PM) estiveram na porta do Hospital São Lucas depois que foram acionadas pelo pai de Leonardo Santos Magalhães, garoto de 14 anos que ficou em estado vegetativo após suposta negligência médica. O motivo do desententimento mais recente é que o pai teria sido impedido de entrar para ver o filho ontem. Já alguns funcionários da instituição afirmaram que o homem não havia respeitado o horário de visitas, que é das 13h30 às 15h30 e das 19h30 às 20h30.
O menino já recebeu alta do hospital, contudo, a família se recusa a tirá-lo de lá, já que não teria condições de cuidar do garoto em casa. Conforme o JC já noticiou, a Polícia Civil abriu inquérito para investigar suposta negligência médica, porque a demora no diagnóstico de apendicite teria provocado uma infecção generalizada. Além disso, durante a cirurgia, o rapaz sofreu parada cardiorrespiratória, que o deixou em estado vegetativo.
De acordo com o tenente Rafael Ramos, não houve crime algum ontem para que a polícia pudesse intervir. Diante disso, os militares fizeram um registro apenas sobre a ida dos policiais até o hospital. “Eu acredito que não haja campo para investigação. Nós viemos aqui só para mediar um desentendimento e orientamos ambas as partes com o intuito de evitar agressões ou algo do tipo”, reitera o oficial.
Recusa
O pai Marcelo Ferreira Magalhães já havia se recusado a retirá-lo do São Lucas, onde está internado há mais de dois meses, na semana do último dia 11. Na ocasião, a instituição teria dado alta a Leonardo pela primeira vez. “Porém, meu filho teve uma infecção e ficou internado por mais dez dias”, explica o genitor. Ontem, portanto, o hospital havia dado uma segunda alta ao menino.
“Eu não tenho condições de cuidar dele em casa”, desabafa a mãe de Leonardo, Cristina dos Santos. Todavia, o que a levou ao desespero foi o documento que recebeu em nome do hospital. O JC teve acesso ao texto e a instituição diz que todas as despesas de Leonardo, a partir da data de ontem, seriam cobradas como particulares, uma vez que a instituição já deu a alta e não tem mais autorização para mantê-lo internado e sob tratamento médico.
Medidas Legais
No documento, o hospital salientou ainda que tomará as medidas legais cabíveis pelo descumprimento das determinações médicas por parte da família. Outro ponto levantado pelo hospital é que ele não se responsabilizará pelas consequências advindas da manutenção do paciente em ambiente hospitalar, uma vez que já houve orientação em relação ao mesmo assunto.
Ontem à noite, o JC tentou contato com o responsável pelo São Lucas, mas ele não atendeu as ligações. Durante a tarde, no hospital, também ninguém foi autorizado a conceder entrevistas.
Na Justiça
O advogado da família, Olavo Pelegrina Junior, considerou a atitude do hospital como uma arbitrariedade e prometeu, na noite de ontem à reportagem do JC, que vai apelar ao Poder Judiciário. “Nós acreditamos que o plano de saúde do hospital causou a situação em que Leonardo se encontra e as provas são contundentes. Portanto, nós vamos entrar com um pedido de antecipação de tutela em caráter de urgência”, acrescenta.
Na antecipação de tutela, entende-se que o hospital teria de se responsabilizar pelo tratamento do garoto, seja dentro de suas acomodações ou na casa da família. “Se for determinado que o menino fique na residência, o hospital tem de fornecer equipamentos e funcionários, já que os pais são leigos no assunto. O que é mais perigoso? Leonardo adquirir alguma infecção no ambiente hospitalar ou dentro de casa sem os cuidados necessários?”, defende o advogado.
Pelegrina também fez um pedido de instauração de inquérito para a Polícia Civil e, ao mesmo tempo, registrou um boletim de ocorrência (BO) contra o hospital por lesão corporal grave, já que houve perda de funções. O delegado responsável pelo caso, Eduardo Samuel Sganzela, afirmou, em entrevista recente ao JC, que a polícia não descarta a hipótese de negligência médica, mas ainda precisa investigar.