10 de julho de 2026
Articulistas

Nova equipe econômica: fazer diferente para colher diferente!

Reinaldo Cafeo
| Tempo de leitura: 3 min

Como a presidente Dilma em sua campanha eleitoral havia anunciado, o atual ministro da Fazenda, Guido Mantega, não permanecerá no cargo. O economista Joaquim Levy já trabalha na pasta. Juntamente com Nelson Barbosa, que assume o Planejamento, e Alexandre Tombini, que está mantido no comando do Banco Central, Levy terá a missão de redefinir a política econômica vigente.

O denominado tripé básico da condução da economia está fora de controle. Em 4 anos de mandato o governo federal deteriorou as contas públicas, gerando déficits inaceitáveis, permitiu que a inflação desgarrasse do centro da meta, operando acima do limite máximo estabelecido que é de 6,5% ao ano e ainda sofre com o câmbio. Ingredientes que geram incertezas e estas debilitam ainda mais a economia nacional. O resultado é a combinação nada animadora de alta inflação e baixo crescimento econômico.

Neste contexto, o que esperar da nova equipe econômica? A palavra de ordem é austeridade! Não há outra mensagem a ser transmitida aos agentes econômicos senão a de forte controle nos gastos públicos, permitindo resgatar a confiança da sociedade como um todo.

Os cortes nos gastos terão que vir de todas as frentes, incluindo alguns benefícios sociais, como seguro desemprego, benefícios da previdência, entre outros, mas fundamentalmente é preciso sinalizar com atitudes firmes e concretas. Na outra ponta haverá esforço para arrecadar mais. Subsídios tributários, por exemplo, serão cortados e ainda a introdução de novos tributos. Serão decisões no caminho do aumento da arrecadação e cortes nos gastos públicos.

Também são esperadas ações no tocante ao controle imediato da inflação. Os juros podem ser utilizados como instrumentos no curto prazo, mesmo que isso derrube ainda mais a já tão debilitada economia. Os juros podem auxiliar ainda no controle do câmbio, atraindo o capital estrangeiro, aumentando a oferta da moeda estrangeira no mercado.

Nada disso seria necessário se a austeridade tivesse sido praticada durante estes 4 anos de mandato, mas não adianta chorar o leite derramado. O estrago já foi feito e é hora de reconstruir. Com um segundo mandato a presidente Dilma tem a oportunidade de implementar uma nova forma de conduzir a economia do país. É o novo que ela preconizou. A população a escolheu como a que deve conduzir o destino do País nos próximos 4 anos e ela não pode decepcionar.

O que está em jogo é não somente a recuperação econômica para os empresários, mas sim a proteção das conquistas daqueles que ascenderam à classe média. Se a economia continuar patinando, estes mais de 34 milhões de brasileiros que saíram das classes D e E terão que dar um passo atrás, e isso seria lamentável. A queda da miséria que estava em curso foi interrompida e isso já é preocupante.

Teremos um final de ano desafiador e um 2015 mais desafiador ainda. Não é hora de titubeios, mas sim de assertividade, ou seja, ações certeiras na direção correta.

Como diz James Hunter, em o Monge e o Executivo: "Se continuar fazendo as mesmas coisas, colherá os mesmos resultados", portanto, é preciso fazer diferente, para melhor, para colher resultados diferentes e melhores!

O autor é economista e articulista do JC