08 de julho de 2026
Regional

Greve de "perueiros" termina hoje

Marcus Liborio
| Tempo de leitura: 2 min

Os motoristas de peruas escolares em Avaí (39 quilômetros de Bauru) retomam as atividades hoje, após dois dias de greve por falta de pagamento. A paralisação começou na segunda-feira e ao menos 300 estudantes da rede pública, a maioria da zona rural da cidade, ficaram sem transporte.

Os perueiros alegaram que estavam sem receber o salário há mais de 30 dias e, ontem, após assembleia, a categoria optou por aceitar parte do pagamento oferecido pela prefeitura e o restante, cerca de R$ 40 mil, nos próximos dias.

“Recebemos os R$ 70 mil oferecidos pelo município, que se comprometeu a pagar o restante daqui, no máximo, 15 dias. Alguns perueiros abriram mão de pegar o salário agora, deixando para os mais comprometidos financeiramente. Mas se a prefeitura não pagar, a greve volta”, frisou o presidente da Cooperativa de Transporte de Alunos de Avaí, Odário Jesus Costa.

O valor da folha de pagamento dos perueiros é de R$ 109 mil. Deste total, o Estado repassa R$ 58 mil e o governo federal mais R$ 13 mil. O restante é a contrapartida da prefeitura. Acontece que o Executivo atrasou o pagamento de setembro (pago em novembro) e outubro.

O prefeito de Agudos, Celso Roberto de Faveri (PTB), disse que o problema ocorreu porque o repasse do Fundo de Participação dos Municípios (FPM) diminuiu. “Era para vir R$ 250 mil, mas veio só R$ 130 mil. Por esse motivo, a prefeitura não teve o valor da contrapartida”, explicou.

Celso entregou o cheque de R$ 70 mil ontem à cooperativa e defende-se dizendo que atrasou o pagamento em apenas 10 dias. Ele se mostrou surpreso com a reação dos perueiros em optarem pela paralisação.

“Não entendi porque entraram em greve, pois nunca atrasei o salário deles. Quando falei que colocaria os ônibus da prefeitura para transportar os alunos, pensaram melhor e aceitaram a minha proposta”, disse o prefeito.

Os cerca de 300 estudantes da zona rural, que fica a cerca de 25 quilômetros das escolas da cidade, perderam dois dias de aula. Anteontem, inclusive, segundo os próprios motoristas, muitos teriam prova.

Advogado da cooperativa de transporte de alunos na cidade, Diego Ricardo Kinocita, descartou a hipótese de entrar com uma representação no Ministério Público (MP), solicitando o bloqueio das contas do município.  “Agora que firmamos um acordo, não vejo a necessidade de acionar o MP. Inclusive, só haverá desconto de impostos na folha de pagamento após a prefeitura quitar o restante do valor”, explicou Kinocita.


Irregularidades?

Se a Cooperativa de Transporte de Alunos de Avaí desistiu de acionar o Ministério Público contra a prefeitura, outros setores administrativos da cidade não descartaram a possibilidade, segundo afirmou o advogado Diego Kinocita. “Sabemos que tem gente no município que pretende entrar com representação no MP, solicitando investigações de supostas irregularidades no Executivo”, disse.