O Hospital São Lucas abriu sindicância para apurar o caso de Leonardo Santos Magalhães, 14 anos. Há mais de dois meses, ele deu entrada na instituição com fortes dores abdominais. O diagnóstico tardio de apendicite teria provocado uma infecção generalizada e, durante a cirurgia, o garoto sofreu uma parada cardiorrespiratória, que o deixou em estado vegetativo, segundo a família. A Polícia Civil já abriu inquérito para investigar suposta negligência.
Conforme o JC noticiou nas edições anteriores, Leonardo recebeu alta duas vezes. Uma delas foi na semana do último dia 11, mas o menino adquiriu uma infecção e ficou internado por mais dez dias. Na segunda-feira passada, ele foi liberado pela segunda vez. Em ambos os casos a família se recusou a retirá-lo da instituição, porque diz não ter condições de cuidar do rapaz em casa por enquanto.
Inclusive, Marcelo Ferreira Magalhães, pai do rapaz, chegou a acionar a Polícia Militar (PM), já que recebeu um documento dizendo que todas as despesas com Leonardo seriam cobradas como particulares a partir da última alta médica. O JC também teve acesso ao texto. Todavia, o responsável pelo São Lucas se posicionou no fim da tarde de ontem e disse apenas que o menino permanece internado e nenhuma despesa está sendo cobrada da família.
Medidas
O advogado da família de Leonardo, Olavo Pelegrina Junior, afirmou em entrevista recente ao JC que vai apelar ao Poder Judiciário. “Nós acreditamos que o plano de saúde do Hospital São Lucas causou a situação em que Leonardo se encontra e as provas são contundentes. Portanto, nós vamos entrar com um pedido de antecipação de tutela em caráter de urgência”, acrescenta.
Na antecipação de tutela, entende-se que o hospital teria de se responsabilizar pelo tratamento do garoto, seja dentro de suas acomodações ou na casa da família. “Se for determinado que o menino fique na residência, o hospital tem de fornecer equipamentos e funcionários, já que os pais são leigos no assunto. O que é mais perigoso? Leonardo adquirir alguma infecção no ambiente hospitalar ou dentro de casa sem os cuidados necessários?”, defende o advogado.
Pelegrina também fez um pedido de instauração de inquérito para a Polícia Civil e, ao mesmo tempo, registrou um boletim de ocorrência (BO) contra o hospital por lesão corporal grave, já que houve perda de funções. O delegado responsável pelo caso, Eduardo Samuel Sganzela, disse recentemente à reportagem que a polícia não descarta a hipótese de negligência médica, mas ainda precisa investigar.