10 de julho de 2026
Política

Força-tarefa fecha buracos nas ruas em Bauru

Vinicius Lousada
| Tempo de leitura: 4 min

Douglas Reis

Novo caminhão do DAE foi testado na quinta-feira (27) mais uma vez, cobrindo buracos na rua Joaquim de Souza

Agrande quantidade de vazamentos nas redes de água e esgoto, a paralisação da usina de asfalto e, agora, a chuva levaram o prefeito Rodrigo Agostinho (PMDB) a determinar a realização de uma força-tarefa para tapar os mais de 1.500 buracos espalhados pela cidade. Trata-se da demanda represada, resultado dos consertos executados pelo Departamento de Água e Esgoto (DAE) nos últimos 20 dias.


Secretário municipal de Obras, Sidnei Rodrigues garante que o número bate o recorde dos últimos anos e, diante do cenário, suspendeu, inclusive, a execução de serviços de recape nas vias públicas. “A gente costuma trabalhar com esse tipo de demanda no zero”, garante.


Para tentar correr atrás do prejuízo, o prefeito entrou em contato com o secretário no início da tarde de ontem e pediu para que mais equipes fossem mobilizadas, até para minimizar o volume de reclamações da população.


Em situações rotineiras, quatro equipes da Obras executam o tapa-buracos. Desde quinta-feira (27), oito delas estão se dedicando ao serviço, além de mais um grupo de funcionários da Secretaria de Administrações Regional (Sear) e das equipes DAE. “Dobramos o nosso efetivo para tentar dar conta dessa situação excepcional”.


A demanda se tornou grande em razão da falta de um dos componentes necessários para a fabricação de massa asfáltica pela usina da Secretaria de Obras, que ficou parada por 20 dias e só voltou a produzir na última segunda-feira.


“Agora, estamos em uma situação mais tranquila, com material suficiente para os próximos três meses. Nessas últimas semanas, não ficamos totalmente parados. O DAE pagou por asfalto de um fornecedor graças a uma ata de registro de preço, mas o volume de material disponibilizado era muito inferior ao do que a usina fabrica”, compara Sidnei Rodrigues.


Chão molhado


Mesmo com o material e as equipes à disposição da força-tarefa encomendada pelo prefeito, o serviço de tapa-buracos ainda não está sendo executado a todo vapor em função da chuva.


“Com o chão molhado, a massa perde a temperatura e o resultado não fica bom porque o asfalto afunda. A gente até consegue fazer os buracos menores, mas não esses médios e maiores feitos pelo DAE”, explica o secretário de Obras.


Segundo Sidnei, dos quase 900 buracos abertos pela autarquia para consertar vazamentos todos os meses, metade é tapada com massa asfáltica pela estrutura de sua secretaria, que precisa dar conta ainda dos demais milhares de buracos que surgem pelo desgaste natural da pavimentação das vias.

Caminhões equipados e modernos prometem mais agilidade nas ruas


O DAE apostou na aquisição de dois caminhões equipados com um kit tapa-buraco para executar o serviço com mais eficiência e reduzir a dependência da estrutura da Secretaria de Obras para atender a demanda. O investimento foi de R$ 975 mil e a operação das máquinas deve começar na semana que vem.


Atualmente, os buracos são tapados com três caminhões basculantes, que continuarão a ser utilizados mesmo depois da chegada dos novos equipamentos, que foram testados durante a manhã de ontem.


Temperatura


A principal vantagem da nova aquisição é que o caminhão será acoplado em um tanque metálico com revestimento de fibra de vidro que manterá a temperatura ideal para que a massa asfáltica possa ficar armazenada por até três dias antes da aplicação. As máquinas, que poderão transportar aproximadamente 9 toneladas de asfalto cada uma, ante 5 toneladas dos caminhões basculantes, vão possibilitar maior qualidade e agilidade aos procedimentos de tapa-buraco, já que a massa quente poderá ser despejada diretamente sobre o buraco.


“A estrutura desses caminhões mantém a massa asfáltica aquecida. O material não é perdido, mesmo se não for usado no mesmo dia. Também não tem risco de perdê-lo com a chuva. Eles geram economia e segurança também porque não exigem que uma pessoa vá lá e despeje o material sobre o solo. Em um buraco grande, o serviço é concluído em 20 ou 30 minutos”, explica Carlos César Parralego, representante da empresa Amplytude, que forneceu o maquinário para o DAE.


Os caminhões incluem ainda acessórios como compactador de solo, placa vibratória e máquina de cortar asfalto. A cabine suplementar tem capacidade para quatro passageiros e possui um banheiro químico devidamente instalado.


Na quinta-feira (27), a equipe de reportagem do JC acompanhou o teste de um dos caminhões, que tapou três buracos abertos para o conserto de um vazamento na quadra 4 da rua Joaquim de Souza, na região do Estoril.