O “Vale do Silício”, nos Estados Unidos, mais precisamente na Califórnia, é uma região onde estão concentradas empresas que produzem circuitos eletrônicos, peças e equipamentos de eletrônica e informática. Foi criada na década de 50 com o objetivo de gerar inovações científicas e tecnológicas. Na região de Bauru existe um “Vale do Silício” em menor proporção. A cidade de Garça (70 quilômetros de Bauru) tem hoje 72 empresas no segmento de eletroeletrônicos. Dos 44.500 habitantes 11% trabalham nessas indústrias ou seja, cinco mil pessoas tiram seu sustento do setor.
A industrialização do município aconteceu na década de 80 pelas mãos de dois irmãos garcenses, que resolveram criar uma automação própria para os portões brasileiros. Antes disso, os motores eram importados e não cabiam no ‘bolso’ dos brasileiros. Passados 30 anos, a empresa é líder no mercado e responsável pela ‘geração’ de outras empresas.
O secretário municipal da Indústria e Comércio de Garça, Nilson Bastos Bento, não economiza elogios ao setor. “Garça sempre foi um município voltado para a agricultura, especialmente ao café. Na década de 80 começou a primeira empresa do segmento aqui e despertou a fundação de outras. Com a decadência do café, se não houvesse acontecido isso, Garça estaria vivendo uma situação complicada como outros municípios que também se dedicavam a cafeicultura e não tiveram como agregar outra atividade.”
Ele frisa que o café ainda é uma atividade importantíssima na economia da cidade. “Mas com o surgimento da indústria tivemos um fortalecimento e hoje colhemos os resultados. É importante ressaltar que são investimentos nascidos dentro de Garça. Não recebemos investimentos de fora para chegar à realidade de hoje. Foram jovens empreendedores que acreditaram e empreenderam. Passaram a ter a sua atividade industrial.”
Bento explica que, em Garça não há grandes empresas, mas indústrias de médio e pequeno porte. “As médias concentram de 500 a 600 empregados. As menores têm de 5 a 100 funcionários. Na incubadora de empresas há aquelas que têm cinco, por exemplo. Lá o espaço é reduzido. É um apoio do município para quem está começando. Eles ficam lá até se desenvolverem. O setor industrial de Garça, no total emprega 10 mil trabalhadores.”
Diversificação
O secretário enfatiza que, atualmente, o município aposta na diversificação de atividades para não correr o risco de apostar num único segmento. “Nossa intenção é não focar num único segmento. É claro que nenhum município quer indústrias que venham agredir o meio ambiente para isso tem os critérios da Cetesb. O eletroeletrônico criou uma condição tal que hoje quem deseja trabalhar nesse setor encontra boas parcerias, escola, mão de obra formada. Esse ambiente é favorável. Agora temos um desenvolvimento da indústria de alimentos.”
No setor alimentício, segundo Bento, há boas perspectivas de crescimento. “Temos aproximadamente 15 empresas desse setor. Duas delas estão chegando agora. Uma de processamento de tilápia e outra de processamento de frutas para sucos e polpas.”
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Éder Azevedo |
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