Na madrugada, ao romper nova manhã,
longe na mata, canta triste o Acauã,
vaticinando muita seca no sertão.
No infinito, o profundo azul celeste,
perde o encanto, é olhado como agreste,
nas horas quentes, sem nenhuma viração.
Reina a tristeza onde tudo era alegria,
e o pôr-do-sol, que também era poesia,
perde aos poucos todo encanto e beleza.
Somem os pássaros, fugindo à desolação,
até os insetos não resistem e se vão,
perde a magia e todo o mimo a Natureza.
Geme a terra fortemente ressequida,
chora a relva tristemente emurchecida,
seca a fonte dadivosa do baixio.
E como brasa, arde o sol impiedoso,
e vozes clamam num só grito
lastimoso:
venha a chuva aplacar o longo estio...
E sai de cena o Minuano traiçoeiro,
em seu lugar sopra o Bóreas
mensageiro
de novos ares e a mudança desejada.
riem as folhas ao primeiro gotejar,
arfam os galhos, jubilosos a brincar
como crianças, ante a chuva
abençoada.
Sedenta a terra em desespero
chuchurreia,
enquanto o vento seu aroma volateia,
deixando a gente de esperança renovada.
voltam os pássaros em regozijo
pipilando,
Até os insetos voam baixo zunzunando
é a Natureza novamente engalanada.
Roldão Senger (membro da Academia Bauruense de Letras)