Numa universidade pública de Minas Gerais, estudantes, rodeando as mulheres, entoam hinos com dizeres sexistas. Grupo denominado Bateria Engrenada da UFMG, formado por alunos da Engenharia, costuma fazer apologia à violência sexual. Chegam a cantar : ?Não é estupro, é sexo surpresa?. Não é, pois, só na USP que ocorrem eventos ofensivos altamente sexistas. O fato de providências não terem sido tomadas após denúncias das vítimas é um incentivo para que continuem.
Ana Luísa Cunha, uma estudante da Faculdade de Medicina da USP, afirmou? "Como nunca foi construída na faculdade essa cultura de acolhimento das vítimas, muitas também não se sentiam à vontade para falar sobre uma violência que elas tinham sofrido". Após várias denúncias, o Coletivo Feminista Geni da USP está denunciando as violências e cobrando providências.
Como não houve resposta por parte de autoridades, foi solicitada uma audiência pública na Assembleia Legislativa de São Paulo. No entanto, José Otávio Costa Auler Junior, diretor da Faculdade de Medicina da USP, telefonou reiteradamente aos deputados da Assembléia pressionando pela suspensão da audiência. Auler falou, aos gritos, com o deputado Adriano Diogo, presidente da comissão, dizendo que a audiência pública "iria jogar na lama o nome da instituição".
Como não houve providências por parte de autoridades da USP, após a audiência pública que ocorreu na Assembleia Legislativa de São Paulo, na semana passada, foram solicitadas medidas medidas urgentes. Em entrevista, Virgínia Barros, presidenta da UNE, cobrou medidas enérgicas, inclusive preventivas, como melhor iluminação no campus e nas ruas em geral.
Em outras universidades também tem havido violências sexistas como, por exemplo o chamado "rodeio das gordas" que ocorreu em São Carlos e também na Unesp de Assis. Já passou da hora de acabar com a violência sexista, a violência patriarcal. Para tanto, é preciso que se supere o duplo padrão moral que impera no Brasil e que teve seu auge durante os séculos de escravismo.
A sociedade é patriarcal, o Estado é patriarcal, as escolas e igrejas são patriarcais. Urge, pois, a despatriarcalização. O 25 de novembro, Dia de Combate à Violência contra Mulheres, foi mais uma ocasião para buscar um mundo não patriarcal.
A autora é professora aposentada da Unesp e militante da Marcha Mundial de Mulheres (MMM)