10 de julho de 2026
Articulistas

Vítimas no trânsito brasileiro chegam a mais de um milhão

Archimedes Raia Jr.
| Tempo de leitura: 2 min

Neste mês de novembro, o Ministério da Saúde divulgou dados preliminares sobre as mortes e internações de vítimas de acidentes de trânsito no país, em 2013. Contabilizando-se esses óbitos, o Brasil atingiu a estrondosa cifra de 1,064 milhão de mortes, desde 1980. Quase uma Campinas inteira dizimada com a guerra no trânsito.

Em 2012, o número de mortos havia atingido 44,8 mil, enquanto que em 2013 esse número foi reduzido a 40,45 mil, resultando em uma queda de 9,7%. Este fato aponta para uma queda na sequência contínua e crescente da violência no trânsito, e representa uma redução mais proeminente, desde 1998, onde as mortes haviam sido reduzidas em 13%, com a entrada em vigor do Código de Trânsito.

A evolução da taxa de mortalidade também registrou queda de 13%, passando de 23,1 para 20,1 mortes/100 mil habitantes. O número de internações, por sua vez, continuou em alta, crescendo 16,9% em relação a 2012.

O Rio de Janeiro liderou a queda de mortes no trânsito, em 2013, com incríveis 44%, seguido por Rondônia (-19%), Acre (-18%), Bahia (-15%), Paraná (-13%) e Santa Catarina (-12%). São Paulo ficou abaixo da média nacional, com -8%.

Embora as estatísticas apontem este declínio, os especialistas não têm ainda uma resposta clara para seus motivos. Uma análise temporal aponta que os dados de 2013 coincidem com os primeiros 12 meses de vigência mais rigorosa da Lei Seca, que teve como consequência direta a duplicação do valor das multas.

Outro fato a ser considerado é que se passou a aceitar novas maneiras de comprovação da ingestão de álcool, além do uso do etilômetro. Adicionalmente, tornou-se menos rígida a caracterização de crime de trânsito por ébria direção. Este fato permite mais agilidade na criminalização do infrator.

Os técnicos em segurança viária, no entanto, são ainda muito cautelosos nas análises. Muitos deles consideram que as alterações promovidas na lei só proporcionaram impactos onde houve intensificação da fiscalização, caso do Rio de Janeiro. Para eles, outros fatores podem ter contribuído para a queda nas mortes: aumento no uso de air bag, freio ABS, dentre outros.

Há quem aponte para a lentidão do tráfego nas cidades. No entanto, este fenômeno vem ocorrendo ao longo dos últimos anos de forma gradativa e não houve nenhum fato extraordinário, em 201,3 que justificasse, por si, a redução na mortalidade no trânsito.

Enfim, mesmo comemorando as muitas vidas preservadas, é preciso cautela e esperar por uma sequencia declinante de dados, pois o número de mortes, em 2013, pode ter sido somente um "outlier". Este termo, em estatística, corresponde à observação que apresenta um grande afastamento das restantes, ou são inconsistentes. Esta observação é igualmente chamada de observação "anormal", estranha, contaminante ou extrema. Prudente será aguardar pelos dados de 2014 antes de se soltar rojões.

O autor é doutor em Engenharia de Transportes e especialista em trânsito, professor da UFSCar, diretor de Mobilidade da Assenag e articulista do JC