Em meio à violência imposta pelo tráfico que tem afetado a rotina do Complexo da Maré, no Rio de Janeiro, nas últimas semanas, os moradores receberão nesta quarta-feira (3) o ônibus da Justiça Itinerante, que oferecerá diversas ações jurídicas de graça. A iniciativa do Tribunal de Justiça (TJ) inclui serviços como guarda de crianças e adolescentes, pensão alimentícia, interdição, divórcio, reconhecimento de paternidade, segunda via de registro de nascimento, conversão de união estável em casamento, óbito e problemas envolvendo consumo.
Juízes, promotores de Justiça, defensores públicos, servidores, estagiários, técnicos, seguranças e funcionários de serviços gerais do Judiciário do Rio estarão atendendo a população das 8h às 15h, na Via Seletiva, próximo ao entroncamento das linhas Amarela e Vermelha, na Vila do Pinheiro.
Esta é a segunda experiência do ônibus da Justiça Itinerante no local. No dia 26 de novembro, data da inauguração do serviço na comunidade, houve uma grande procura da população, sendo registrados 741 atendimentos. A iniciativa teve apoio do Exército, por meio da Força de Pacificação da Maré, o que deverá se repetir nesta quarta-feira.
A situação na região ficou mais tensa desde a morte do cabo do Exército Michel Augusto Mikami, no dia 28 de novembro, emboscado quando participava de uma patrulha na Maré. Baleado na cabeça por traficantes, ele chegou a ser levado para uma Unidade de Pronto Atendimento (UPA), mas não resistiu.
A morte dele foi a primeira de um militar das Forças Armadas durante o processo de pacificação da Maré e fez elevar o tom de críticas e pedidos de represálias do Exército aos criminosos. Nesta terça-feira (2), o presidente do Clube Militar, general Gilberto Rodrigues Pimentel, assinou uma carta criticando duramente o assassinato de Michel e pedindo providências.
“É uma tragédia anunciada desde que atiraram nossos soldados no inferno em que se transformaram as favelas do Rio de Janeiro, onde predomina um ambiente de verdadeira guerra civil, sem que lhes seja concedida a oportunidade de reagir à altura, lançando mão do poder de fogo e regras de engajamento adequados para enfrentar os meliantes fortemente armados e dispostos a tudo”, escreveu o presidente do Clube Militar.
A assessoria de comunicação da Força de Pacificação disse que continuam os patrulhamentos ostensivos e ressaltou que os serviços de inteligência estão fazendo o levantamento no local para identificar e os responsáveis pela morte do militar.