08 de julho de 2026
Geral

Rodízio faz comércio do Centro restringir banheiro a clientes

Tisa Moraes
| Tempo de leitura: 4 min

Arquivo/JC

Com manutenção do rodízio e aumento do fluxo no fim do ano, lojistas temem ficar sem água

O rodízio, que segue ao menos até o final do mês em Bauru, tem alterado a rotina do comércio central. Como medida para economizar água, alguns empresários decidiram restringir o acesso dos consumidores aos banheiros.

Às vésperas do início do horário de funcionamento estendido das lojas, a manutenção do rodízio de água – que motivou esta proibição - já é motivo de preocupação. “Os clientes já estão reclamando agora. Com mais quatro horas extras de expediente, a tendência é piorar”, alerta o vice-presidente da Câmara de Dirigentes Lojistas (CDL) de Bauru, Aldemiro José Alves.

A partir de amanhã, os estabelecimentos da região central passam a funcionar das 9h às 22h, de segunda a sexta-feira. No domingo, as lojas também abrem, das 9h às 18h, o mesmo horário dos sábados.

O temor dos comerciantes é que, com mais horas de funcionamento e maior número de clientes circulando, ocorram dificuldadtes devido à falta d’água. Na pastelaria do empresário Francisco Alberto Franco de Bernardis, o Kiko, o acesso aos banheiros já está restrito há algum tempo.

Na última semana, ele diz já ter tido uma amostra do desconforto dos clientes, que lotaram o Calçadão da Batista de Carvalho em busca das promoções da Black Friday. “A dificuldade foi generalizada, atingiu o grande e o pequeno comerciante. Com o nível do Rio Batalha já normalizado, a ideia de manter o racionamento de água ao menos até o final do ano é inconcebível”, reclama.

Com o rodízio instituído desde 15 de outubro, a região central tem recebido água em dias alternados. Quando não há previsão para abastecimento, os comerciantes precisam garantir o funcionamento do estabelecimento com a reserva armazenada na caixa d’agua.

Segundo o JC apurou, parte das lojas está restringindo o acesso aos banheiros para evitar o uso excessivo das descargas, que demandam grande volume de água. Seria uma estratégia para tentar evitar que as torneiras ficassem secas antes do fim do expediente.

‘Humanidade’

Com a extensão do horário de funcionamento para atender um maior número de clientes que farão compras de Natal, a situação ganha novos contornos. “O movimento aumenta cerca de 100%. Muitas famílias vêm de outras cidades da região para passar o dia todo no Calçadão. É uma questão de higiene, de humanidade”, reclama Kiko.

A lagoa de captação de água do Rio Batalha chegou ao nível considerado ideal no último dia 25. Um dia depois, o curso do manancial também já mostrava ter se recuperado. Mesmo assim, o Departamento de Água e Esgoto (DAE) anunciou que manteria o racionamento ao menos até o início do verão, que começa em 21 de dezembro.

Procurado pela reportagem, o prefeito Rodrigo Agostinho (PMDB) informou que o prazo poderá ser antecipado, mas, por enquanto, a administração não prevê encerrar o sistema de rodízio. “O período de estiagem foi muito prolongado e a previsão é de termos um verão mais seco do que o habitual. As manobras estão sendo mantidas como medida de prevenção”, justifica.

O DAE argumenta que os estabelecimentos devem manter caixas d’água capazes de reservar o volume necessário para o abastecimento durante 24 horas. Em caso de falta d’água, também podem acionar os caminhões-pipa da autarquia. Vale lembrar, no entanto, que os veículos só levam água para reservatórios que estejam na altura do solo.


Mesmo com Rio Batalha recuperado, ‘vizinha’ do DAE continua sem água

A lagoa de captação do Rio Batalha está, há uma semana, em seu nível máximo, de 2,6 metros. Mesmo assim, a água não chega na casa da engenheira civil Ana Lúcia Bueno, 54 anos, moradora do Jardim Nasralla.

“Quando o nível do Batalha estava baixo, o DAE dizia que a água bombeada era insuficiente para chegar às partes mais altas da cidade. E agora? Qual a explicação? É claro que o problema sempre foi a falta de pressão na rede”, reclama.

Apesar de ser praticamente vizinha do DAE, seu imóvel não recebe água do reservatória da autarquia. O abastecimento de sua casa vem do reservatório da Praça Portugal.

Por conta do problema, nos últimos meses, a moradora tem dependido de caminhões-pipa para abastecer a residência. Anteontem, uma equipe do DAE esteve no imóvel e confirmou que a pressão no hidrômetro estava em três metros de coluna de água (mca), abaixo da ideal, que é de 10 mca.

Acionada pela reportagem, a assessoria de imprensa da autarquia informou que, ainda anteontem, o departamento instalaria um equipamento de monitoramento no hidrômetro do imóvel. Se, durante três dias, ficar constatado que a pressão da água está abaixo da ideal, inclusive no período noturno, adequações estruturais seriam feitas para tentar resolver o problema no curto prazo.

Caso contrário, a moradora seria orientada a verificar as condições da bomba de sua caixa d’água.