Dezenas de janelas de vidros quebradas dão o ar de abandono ao Residencial Chácara das Flores, empreendimento do programa Minha Casa Minha Vida erguido no Parque Santa Fé, região do Núcleo Fortunato Rocha Lima, em Bauru. Em fase final de construção, as obras estão paralisadas e, por isso, têm sido alvo constante de vandalismo.
Há pelo menos quatro meses (moradores dizem que há quase um ano), não há pedreiros trabalhando no local. O amplo espaço, ocupado por 352 apartamentos, é cercado por um alambrado baixo e vigiado por apenas dois homens. Além de sofrer depredação, o lugar também já chegou a ser invadido, conforme revela Lourival da Silva, um dos sorteados pelo programa habitacional, que esperava mudar-se para a casa nova até o final deste ano.
“Já teve noia (usuário de drogas) que arrombou apartamento para furtar torneiras. Já quebraram a porta de entrada de um dos blocos, que era de vidro e cara. Sem contar o tanto de janela que vândalo que passa na rua quebra, jogando pedra”, lamenta.
Por meio de nota, a assessoria de imprensa da Caixa Econômica Federal (CEF) informou que as obras do residencial foram paralisadas por abandono da construtora inicialmente contratada. A nova empresa selecionada para assumir as obras, a Maré Construtora e Incorporadora LTDA, informou que já está “elaborando os orçamentos e o cronograma para a efetiva contratação junto a Caixa”.
Não há ainda, portanto, estimativas sobre o prejuízo causado e o montante a ser investido para que as obras sejam concluídas. Inicialmente, o residencial, dividido em dois blocos, era orçado em R$ 22,8 milhões.
Dinheiro público
Mas é certo de que recursos públicos adicionais terão de ser empregados para que o empreendimento fique pronto, já que toda estrutura danificada ou furtada terá de ser reposta. A Caixa, no entanto, não confirma a informação.
Além de prejuízo para os cofres públicos, a paralisação das obras também gerou descontentamento entre as centenas de famílias que esperavam passar o primeiro Natal em uma casa própria. Lourival é apenas um exemplo.
Vendedor, casado e pai de três filhas, ele mora há 14 anos, de favor, nos fundos da casa de seu avô, no Parque Santa Edwiges. Em julho, ele finalmente foi sorteado. Já tinha encaixotado parte da mudança, quando ficou sabendo que teria de adiar os planos.
“As caixas ainda estão lá, fechadas. Eu participei de todos os sorteios do Minha Casa Minha Vida, desde o início. Quando finalmente fui sorteado, acontece isso. Justo na minha vez”, lamenta.
Na Justiça
A assessoria de imprensa da CEF em Brasília (DF) informou que a empresa responsável pela obra foi incluída no Cadastro Informativo de Pessoas Físicas e Jurídicas com Relacionamento com a Caixa (Conres). Também foram inscritos neste cadastro restritivo os sócios, dirigentes e responsáveis técnicos.
Eles estão impedidos de efetuar novas contratações com o banco, que irá acionar a construtora na Justiça para ressarcimento dos custos. A Caixa esclarece que o empreendimento está sob vigilância contratada por ela.
Questionada pela reportagem, a assessoria de imprensa do banco não precisou há quanto tempo a construção está paralisada, nem deu prazo para a retomada das obras e entrega das chaves aos moradores. Também não confirmou o valor estimado do prejuízo provocado pela depredação do imóvel e se a substituição dos materiais danificados será feita com dinheiro público.
Dados sobre o valor inicial da obra e o número de apartamentos construídos também não foram informados, mas foram coletados pela reportagem em placas afixadas no terreno do empreendimento.