Quando se fala em voluntário, recorro ao ditado africano: "Muita gente pequena, em lugares pequenos, fazendo coisas pequenas, mudarão a face da Terra." Objetivando incentivar sua prática, a ONU - Organizações das Nações Unidas, em 1985, instituiu 5 de dezembro como o Dia Internacional do Voluntário. O Dia Nacional é 28 de agosto. Segundo consta, a primeira atividade voluntária do Brasil foi em 1543, quando a Igreja Católica fundou a Santa Casa de Misericórdia, em Santos.
O Ibipe, em 2011, apurou: 25% da população brasileira com mais de 16 anos efetua ou efetuou algum trabalho voluntário (França 30%; EUA 50%). Constatou que 77% do voluntariado está ligado à religião: católica, espírita, evangélica e israelita. Considera voluntária a pessoa que dedica seu tempo, de maneira espontânea, executando uma atividade não remunerada.
No aspecto conceitual, lamento que muitas vezes as quatro palavras do título sejam consideradas sinônimas. Vale lembrar a sabedoria de Madre Tereza de Calcutá: "As mãos que ajudam são mais sagradas do que os lábios que rezam". A ação voluntária não se restringe à pessoa física. Para que as empresas tenham ações na Bolsa, por exigência internacional, além do aspecto econômico financeiro, precisam comprovar responsabilidade social, com o tripé de sustentabilidade: ambiental, social e ética.
No aspecto empresarial, quando o Jornal da Cidade patrocina ou é parceira de eventos filantrópicos, o diretor geral, Renato Zaiden, realça: "O exercício da solidariedade gratifica mais quem pratica do quem recebe". No meu caso, a conceituada empresa do setor elétrico em que atuei por três décadas tinha como filosofia "não ser mera fornecedora de energia". Não obrigava, mas via com bons olhos a prática do voluntariado, em especial ao corpo gerencial, função que assumi aos 23 anos de idade.
Foi assim, iniciando o voluntariado por obrigação que, gratificado, descobri a devoção. Foi assim que participei de diversas comissões de municípios sob minha jurisdição. Foi assim que proferi palestras sobre uso racional de energia, em faculdades, escolas, clubes de serviços e outras entidades. Foi assim que associei-me e continuo ligado às entidades de cunho social. A frase de Warren Bennis sintetiza: "Nenhum de nós é tão bom como todos nós juntos".
Ainda no aspecto voluntário, graças ao gentil convite do rotaryano Pedro Lira, tive oportunidade de assistir à palestra proferida pelo secretário sdjunto da Secretaria Estadual de Desenvolvimento Social, Henrique Almirates Jr, aos seis Clubes Rotary de Bauru. Com objetividade e sem ostentação, demonstrou "devoção".
Não posso deixar de mencionar também o lema pessoal do fundador do Lions Internacional, em 1917, o americano Melvin Jones: "Você não pode ir muito longe enquanto não começar a fazer algo pelo próximo". Por fim, enaltecendo as atuações das entidades, religiosas ou não, entre elas Lions, Rotary, Maçonaria, Lar Santa Luzia para Cegos e Voluntários em Ação, ouso cunhar a frase: "Só, somos um graveto; juntos, um feixe".
O autor é presidente do Lions Bauru Centro, membro da Comissão Assuntos Comunitários da OAB, diretor do Lar para Cegos Santa Luzia e conselheiro de Ética do Conseg Centro Sul, representando a Assenag.