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João Rosan |
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É questão de honra para as polícias de Bauru prendê-los, resumem Ricardo Martines e Kitazume |
Em uma ação conjunta, as polícias Civil e Militar de Bauru conseguiram identificar dois dos suspeitos de participarem da quadrilha que explodiu dois caixas eletrônicos entre o estacionamento do primeiro piso e a galeria de lojas do Confiança Flex, na madrugada do último sábado. Um dos suspeitos, de 44 anos, foi preso na noite de anteontem em uma chácara no bairro Tangarás, mesma região onde um dos carros utilizados no crime foi encontrado queimado horas depois da ocorrência.
Aos policiais, o homem confessou ter dado todo o suporte para a quadrilha, que seria oriunda da Capital, antes e depois de o crime ocorrer. Ele ainda teria dito que um novo crime ocorreria na cidade até o final do ano.
Apesar de convocarem coletiva de imprensa sobre o assunto ontem à tarde, as polícias Civil e Militar não informaram a identificação dos suspeitos, alegando que a informação poderia prejudicar o andamento das investigações.
Sabe-se, no entanto, que ambos acusados são naturais de Bauru. O foragido possui 25 anos e morava na chácara junto com o homem detido.
Cabeças?
A polícia apura ainda a possibilidade de essas duas pessoas terem planejado toda a ação, apenas “convidando” a quadrilha para atuar em Bauru.
Vale lembrar que, na ocasião, R$ 63.350,00 foram levados somente de um dos caixas.
“Eles possuíam todo um levantamento de informações sobre o local, as possíveis rotas de fuga. Também sabiam da rotina do patrulhamento ostensivo naquela região, que, naquele horário, estava diminuído”, comenta o delegado seccional, Ricardo Martines.
“Temos provas, inclusive, materiais sobre a ligação desses dois suspeitos”, reforça o tenente-coronel Flávio Jun Kitazume, comandante do 4º Batalhão de Polícia Militar do Interior (4.º BPM-I).
Rastros
Mais detalhes sobre como a identificação dos suspeitos foi obtida não foram informados.
Segundo Ricardo Martines, as investigações tiveram início a partir da troca de informações entre as duas polícias sobre os rastros deixados no local no dia do crime, como o veículo abandonado em chamas.
“A grande fonte de informação foi o boca a boca. Alguém que viu o veículo, a movimentação estranha, ouviu uma conversa sobre o assunto num bar... Não usamos muito as imagens das câmeras de segurança. Aliás, nenhuma tecnologia substitui um policial que vai pra rua e possui seus informantes”, frisa Martines.
A prisão do primeiro suspeito, na noite de ontem, no Tangarás, foi realizada pela Polícia Militar, por meio de um mandado de prisão temporária que já havia sido expedido ao longo das investigações.
“Colocamos toda a nossa força policial na rua no dia do crime e seguimos os rastros com base nas características dos veículos e das pessoas. Há dois dias, recebemos informações preciosas que nos levaram a esses dois indivíduos. Após a detenção, o suspeito confirmou sua participação e indicou mais pessoas e a maneira como agia”, completa o tenente-coronel Flávio Jun Kitazume.
Antecedentes
Segundo o JC apurou, os antecedentes criminais de ambos suspeitos teriam auxiliado os policiais na obtenção de provas que resultaram na emissão dos mandados de prisão.
“O homem preso já é conhecido nos meios policiais por porte ilegal de arma de fogo. Já o segundo suspeito saiu da prisão recentemente por receptação de um veículo roubado”, comenta o delegado seccional.
Especializados
Conforme o JC trouxe em suas últimas edições, o modo de agir da quadrilha surpreendeu a polícia da cidade. “O bando era formado por mais de dez pessoas, mas extremamente organizado e especializado. É uma quadrilha perigosa e foi uma ação que poderia ter resultado até em morte, por isso registramos como tentativa de latrocínio”, afirma Martines.
O que chama a atenção é que esses tipos de ataques com explosões de terminais de autoatendimento vinham ocorrendo apenas em cidades menores. “Foi um ataque inesperado e na sede da nossa seccional. Será difícil recuperar o dinheiro, mas a identificação dos demais integrantes será questão de honra para nós”, ressalta o delegado.
Mais crimes?
A polícia também não descarta que a quadrilha, ao invés de voltar para a Capital, tenha se alojado em outras regiões para a prática de mais crimes contra caixas eletrônicos. “Não é difícil que eles sejam responsáveis por outros ataques que estão ocorrendo no Interior”, frisa Martines, apontando que o dinheiro arrecadado possa estar financiando o tráfico de drogas.
Quadrilha agiria de novo aqui até o final deste ano
Informações colhidas ao longo das investigações realizadas pelas polícias Civil e Militar dão conta de que o mesmo bando, que atacou o Confiança Flex, agiria novamente em Bauru.
“Temos a informação de que, até o final deste ano, eles iriam realizar uma ação da mesma proporção em outro estabelecimento comercial por aqui”, afirma o delegado Seccional, Ricardo Martines.
“Isso tudo trouxe uma sensação negativa de ordem pública às pessoas, mas estamos cumprindo com nossa missão. E vamos prendê-los”, completa o comandante do 4.º BPM-I, Flávio Jun Kitazume.