As luzes e cores das comemorações natalinas começam invadir as ruas e nós vamos tendo que aceitar que o final do ano está chegando. Mais uma vez dezembro se aproxima e a sensação que boa parte de nós temos é que o ano voou. Quando percebemos o ano está se findando. A vida anda tão corrida, que corremos e corremos e nem sabemos por que corremos tanto, só sabemos que temos que correr e que estamos correndo. A impressão que dá é que estamos correndo em cima de uma camada fina de gelo e que essa camada fina vai se desfazendo ao passo que pisamos, e se tentarmos voltar atrás cairemos na água gélida que está abaixo de nós. Parece que vivemos quase na literalidade o dito popular que diz "se correr o bicho pega e se ficar o bicho come". Não sabemos por que corremos, e o mais grave seja que nós muitas vezes não sabemos aonde queremos chegar com tanta correria. Só nos ensinaram a correr, mesmo que seja para chegar a lugar algum. O fica para nós, depois de mais um ano de corrida é só cansaço. Mas, será que todo ano tem que ser assim?
Todo ano começamos com uma lista de coisas que faremos e outra do que não faremos. Juramos para nós mesmos que cumpriremos as nossas metas pessoais, valorizaremos mais os amigos, ficaremos mais com a família, leremos mais a Bíblia, investiremos na nossa espiritualidade cristã, que gastaremos menos, trabalharemos menos e viajaremos mais. Ledo engano. As promessas nem sempre chegam ao mês de março. Nem acabamos o ano bem e queremos planejar o próximo. Nossa limitação humana sempre lança para o amanhã a possibilidade de mudança e de retomada da vida. Esse ano voou, é o que dizem. Com o carnaval em março, e o Brasil não anda antes do carnaval, com a Copa do mundo de futebol na metade do ano aqui no nosso país e no segundo semestre as duas paradas para as eleições fizeram com que esse ano parecesse ainda menor. Parece que não damos conta de remir nosso tempo e investi-lo naquilo que de fato é importante e prioritário. Gostamos e gastamos nosso tempo nas trivialidades, nas discussões óbvios e tolas, nas conversas rasas e fúteis, nas pessoas que não querem se mexer, com programas que nada tem a ver com nosso estilo de vida, com críticas banais a tudo e a todos. Gastamos tempo nos abastecendo com tanta coisa que nossa sociedade nos oferece, mas na realidade não nos sentimos abastecidos. Abastecemos-nos do que não nos abastece.
Aprendemos preencher nosso tempo com trabalho e estudo. Se não estamos trabalhando estamos estudando. Trabalhamos muito para alcançarmos as melhores posições e consequentemente os melhores salários, mesmo que em detrimento sacrifiquemos nossa família, amigos e saúde. Estudamos e estudamos não porque queremos ser melhores seres humanos, não porque queremos e precisamos de mais conhecimento, mas investimos nosso tempo precioso com estudo para termos mais um diploma no currículo, ou para poder preencher a vaga de promoção da empresa. Daqui a pouco estaremos todos com vários tipos de doenças (física e mental) em decorrência dessa loucura que chamamos de vida, com a parede repleta de quadros com diplomas, com dinheiro na poupança, com status profissional e com uma vida infeliz.
O ano já se finda, e a reflexão para o próximo ano talvez não deva começar no dia 1 de janeiro na hora em que os fogos estiverem clareando o céu na festa da virada do ano. Se você viu o ano passar rapidamente diante dos seus olhos, reflita e mude o curso de sua história, ainda esse ano. Faça de dezembro de 2014 um teste para 2015. Invista seu tempo no que de fato é importante e não no que é urgente. Abasteça-se de elementos que te abasteça como ser humano e jogue o discurso da auto-piedade e mude. Reflita e mude. Ainda dá tempo.
Pastor Jeferson Rodolfo Cristianini