09 de julho de 2026
Geral

"Agito" faz igreja suspender celebrações

Mariana Gasparini
| Tempo de leitura: 3 min

O dia de sexta-feira, que antes era escolhido por muitos para selar os votos de felizes para sempre, agora não “existe” mais na agenda da Catedral do Divino Espírito Santo de Bauru.

Os encontros entre os jovens, os tumultos e a presença não rara de usuários de drogas a Praça Rui Barbosa, no Centro da cidade, foram os motivos principais.

Segundo os responsáveis da igreja, os “agitos” e as várias ocorrências de tráfico causavam insegurança aos frequentadores da igreja. “Quando tinha casamento aqui, sempre havia uma pessoa badernando na praça e isto deixava as pessoas receosas de saírem”, explica o pároco Marcos Pavan.

Além dos casamentos, o padre conta que suspendeu todas as atividades que a igreja fazia durante as noites de sexta. “Também não temos mais os grupos de orações que costumávamos fazer durante à noite. É uma pena”, lamenta.

Segurança

Há oito anos à frente da Catedral, padre Marcos diz que a segurança do local veio piorando de uns anos para cá e por isso optou pela contratação de dois profissionais. “Desde o início do ano, contratamos duas pessoas que se revezam na segurança da igreja, fora o porteiro que é fixo. A Polícia Militar (PM) também nos ajuda bastante vistoriando o lugar, mas, mesmo assim, não era o suficiente”, conta.

O pároco diz que o estopim para a contratação dos seguranças foi quando as bolsas de duas mulheres que rezavam foram furtadas. “As pessoas se ajoelhavam e deixavam a bolsa no banco. Aí alguém entrava e a levava. Fora que algumas brigas que começavam na praça terminavam na igreja e eu já encontrei uma arma aos pés de uma santa aqui dentro”, revela padre Marcos.

A contratação de seguranças nas igrejas foi revelada com exclusividade pelo Jornal da Cidade, em reportagem publicada em setembro do ano passado.

Gasto 

Para que duas pessoas se revezem na segurança da Catedral, a igreja tem que desembolsar de R$ 3 a 4 mil por mês. O dinheiro sai de dízimos e doações que iriam para a igreja. Os profissionais trabalham todos os dias da semana e reforçam o período aos sábados e domingos, dias de maiores atividades.

“É algo que tivemos que fazer mesmo. As próprias pessoas que frequentam a Catedral pediam por isso. Agora estamos mais seguros”, fala o pároco Marcos Pavan, que afirma que sua igreja não é a única a adotar tal medida. “Todas as sete igrejas da região central da cidade têm algum sistema de segurança: a Catedral, Nossa Senhora Aparecida, Santa Terezinha, São Cristóvão, Santuário de Fátima, São Judas e Santa Rita”.  


Revitalização

Padre Marcos acredita que a situação de segurança no Centro da cidade pode melhorar com a promessa de revitalizar a região. “O Centro está deteriorado. A Praça Rui Barbosa está abandonada e, aqui, ficam muitas pessoas que têm problemas com drogas. Estamos aguardando essas melhorias ansiosamente”, declara o pároco. 


Alerta

Para Flávio Jun Kitazume, do 4.º Batalhão de Polícia Militar do Interior (BPM-I), o policiamento da região central vem sendo reforçado nos últimos 6 meses. Porém, ele aponta que a demanda é grande.  “Sabemos que a praça Rui Barbosa é um ponto de encontro dos jovens e não há como impedir que isso aconteça. O que fazemos é ficar em alerta para que nenhuma situação de perigo ocorra”, alega o comandante.