08 de julho de 2026
Geral

Ela tem o dom da simplicidade

Dulce Kernbeis
| Tempo de leitura: 5 min

Tânia Felix respira moda todos os dias de sua vida. Há décadas ela vive disso, possui uma das boutiques mais requintadas da cidade, mas ela própria tem um estilo bem particular de se vestir: é totalmente básica. “Particularmente eu adoro estilo básico e sou super a favor de que menos é mais, desde que você use peças de qualidade... Um jeans bacana com uma blusa de seda ou um blaser bem cortado e acessórios bons, que valorizem sua roupa, é tudo de bom”, exemplifica.

Ela, que já viveu todas as tendências possíveis, ajuda a bauruense a se vestir está adorando essa nova tendência: “Vem facilitar a vida corrida de hoje em dia em que muitas pessoas não têm tempo para ficar pensando em produções”.

Ela se espelha na sua própria vida para entender que esta é uma tendência que vem ao encontro da mulher moderna.

“Eu sempre fui uma pessoa muito ocupada! Tenho a loja, viajo muito para fazer as coleções, então, me sobra muito pouco tempo e acabo usando o básico, mas sempre fui fã deste estilo, me sinto bem assim, gosto de peças boas, de qualidade, confortáveis e com um toque gostoso. Sou fã do preto, do branco, do off White (um branco meio sujinho), e além de tudo isto facilita muito a minha vida. Sempre gostei de estilistas mais clean, acho mais elegante”, diz.

Sem escravidão

Para Tânia, já não existe mais “uma escravidão com relação à moda. Eu acho que ninguém deve abrir mão de seu estilo até porque cada mulher tem um tipo de beleza e tem que valorizar isto, o que fica ótimo para uma muitas vezes não cai bem em outra: ela tem que usar o que gosta. Hoje por exemplo o bicho se tornou um básico, e se ela gosta de bicho, de brilho, de estampa, tem que usar e se sentir maravilhosa! O importante é sentir-se bem”.

Com cuidado

Para falar das novas tendências, já se pensa na coleção de inverno de 2015, “tudo continua (o bicho, o brilho) então não tem porque se preocupar, apenas deve tomar um pouco de cuidado com as misturas”.

Ela dá um exemplo prático, se na coleção passada, você colocava um sapato de bicho, uma calça de uma estampa e a blusa de outra estampa, agora não, é preciso minimizar.

“Agora é só se atentar um pouco com isto, o espelho e um pouco de bom senso são os melhores conselheiro. De maneira nenhuma a pessoa deve abrir mão do seu estilo”.

Desapegar é preciso

O fato de que agora, com o normcore, pode-se tudo, não quer dizer que a mulher deva ficar usando as mesmas roupas da estação passada, ainda que conserve o estilo. Há sim, espaço para o consumo. Só que mais básico. E há também espaço para uma tendência nova – o desapego. Ou seja, a pessoa se desfazer daquilo que não usa mais.

Por isso ela também é a favor de brechós e trocas. “O que está no seu armário sem uso, pode ser muito útil para outra pessoa! Temos que abrir espaços! Renovar as energias e você com certeza vai se sentir melhor. É claro  que tem peças que não devemos abrir mão...”

O pulo do gato para estar elegante é “investir em peças novas e com bom corte, com certeza vão deixar você se sentir melhor e ficar mais bonita. Desapegue, invista em peças boas e você estará bem em todas as ocasiões”, finaliza.


Contraponto à ‘tendência fora das tendências’

Blogueira e consultora de estilo, Andrea Simonetti é nome forte quando o assunto é “com que roupa eu vou”. “Eu particularmente acho que essa história de normcore é mais uma onda. Afinal, sempre existiram pessoas que não dão a mínima pra moda. Algumas fazem isso até com um certo estilo, outras são mal arrumadas mesmo, donas de um mau gosto de dar dó”. A opinião é de Andrea Simonetti, formada em administração de empresas, produção de moda e consultora de moda.  

Esse trabalho credenciou Andrea a ser consultora e personal stylist.

Primeiro ela dá uma lição do que é o conceito “normcore”.

Se  “você é super ligada em moda, provavelmente já ouviu o termo ‘normcore’. Mas se não se preocupa tanto assim com o que veste, se não faz diferença seguir ou não a tendência e o que importa realmente é estar confortável, então você certamente nem imagina, mas o seu estilo é o ‘normcore’.”

Andrea avalia: “Os teóricos da vez dizem que o look normcore é confortável, com roupas largas, com pouca cor e sem nenhuma referência atual do que possa ser considerado moda. Ou seja, se quiser sair com aquele moleton que você usou pra dormir, tudo bem! Se a tal da roupa confortável esconde a beleza do corpo feminino, tudo bem! Se é pra vida ser neutra, sem o colorido das roupas, tudo bem!”

Tudo isto não está só dito, está escrito no seu blog em post recente. E mais: ela não só vaticina que essa moda não vai pegar. Mas explica de onde vem essa convicção. O primeiro motivo : “Nesse mundo de imagem e selfies, onde a roupa transmite uma mensagem sobre o indivíduo para o mercado de trabalho e para toda a sociedade, não dá para bancar a hippie desencanada”.

O segundo motivo já está calçado em raízes histórias e sociológicas: “A roupa faz parte de um ritual inconsciente do relacionamento humano onde está presente o respeito ao outro. Por isso existem roupas adequadas para cada ocasião, para honrar e respeitar quem está ao nosso lado, nossos anfitriões e amigos. Momentos importantes e significativos não combinam com jeans antiquado e tshirt tamanho extra GG”.

Por fim, o terceiro motivo de Andrea: “Ninguém precisa assim se rebelar contra a moda porque, no fim das contas, a moda não prejudica nem obriga ninguém à nada.” Tratando as leitoras do seu blog de queridas, Andrea finaliza: “Normcore me parece um conceito bonitinho, bem intencionado, mas que pode servir para outras pessoas. Eu tô fora. E viva a moda !!!”

Andrea ainda ilustra o que fala com as tais modelos de looks despojados, fotos apresentadas em sites e blogs para representar o estilo normcore.”

“E olha a contradição: a menina usando uma marca poderosa como Adidas, a outra com um moleton azul cobalto, lindo ! Ué, normcore não odeia moda ? Não entendi!”.