10 de julho de 2026
Nacional

Executivos de 12 empreiteiras e um lobista são indiciados

Por Rubens Valente e Gabriel Mascarenhas | Folhapress
| Tempo de leitura: 2 min

A Polícia Federal indiciou 12 executivos de empreiteiras e um lobista suspeitos de participação no esquema de desvio de recursos da Petrobras.

Entre eles estão o presidente da Construtora OAS, José Aldemário Pinheiro Filho, 63 anos, o vice-presidente executivo da Mendes Júnior, Sergio Cunha Mendes, 58 anos, e o ex-presidente da Queiroz Galvão Ildefonso Colares Filho, 66 anos.

A PF disse ter identificado cinco crimes, incluindo fraude a licitações, lavagem de dinheiro e corrupção ativa.

Além dos executivos, o lobista Fernando Antônio Falcão Soares, 47 anos - conhecido como Fernando Baiano -, foi indiciado sob suspeita de ter cometido quatro crimes, dentre os quais corrupção ativa.

O indiciamento policial não significa culpa. A denúncia cabe ao Ministério Público, que pode acompanhar ou não as conclusões da polícia. Se condenados, os suspeitos podem pegar até 31 anos de prisão, mais multa.

Além dos indiciamentos, a delegada da PF Erika Mialik Marena entregou os relatórios finais referentes a quatro inquéritos que trataram de Fernando Baiano e das empreiteiras OAS, Queiroz Galvão, Galvão Engenharia e Mendes Júnior. Outros inquéritos deverão ser concluídos pela PF nos próximos dias, com novos indiciamentos.

Segundo a delegada da PF, Fernando Baiano "operou no esquema de recebimento de valores de propina, e posterior lavagem, para propiciar a empresas facilidades em sua contratação na Diretoria Internacional" da Petrobras.

No documento sobre a OAS, de apenas cinco páginas, a delegada mencionou "a exiguidade do tempo" que, segundo ela, tornou impossível "apresentar relatório de análise da documentação apreendida" em residências dos executivos e escritórios da empreiteira OAS.

Sobre o material apreendido, Marena destacou "a vasta lista de pessoas que a OAS procurava agradar com presentes e lembranças de aniversário, notadamente políticos e servidores públicos e da estatal Petrobras".

Na OAS, além de Aldemário, a delegada indiciou Agenor Medeiros, 66, diretor-presidente da Área Internacional, José Ricardo Nogueira Breghirolli, 35 anos, Alexandre Portela Barbosa, 29 anos, e Mateus Coutinho Sá Oliveira, 36 anos, diretor financeiro da empreiteira.

Em relação à Galvão Engenharia, foi indiciado Erton Medeiros Fonseca, 54 anos, diretor-presidente de engenharia. Na Queiroz Galvão, além de Ildefonso, foi indiciado Othon Zanoide de Moraes Filho, 55 anos, ex-diretor.

No caso da Mendes Júnior, além de Cunha Mendes, foram indiciados Angelo Alves Mendes, 56 anos, vice-presidente de assuntos corporativos, Flávio Sá Motta Pinheiro, 55 anos, gerente financeiro, e Rogério Cunha de Oliveira, 56 anos, diretor de Óleo e Gás da empreiteira.

Procuradas pela reportagem, as assessorias da OAS e Queiroz Galvão não haviam se manifestado até as 20h. A Galvão Engenharia informou que não vai se manifestar sobre o assunto.

O advogado da Mendes Júnior, Marcelo Leonardo, disse que "indiciamento da PF é providência rotineira".