09 de julho de 2026
Polícia

Desmanches tentam driblar polícia

Paola Patriarca
| Tempo de leitura: 4 min

As Operações Desmanches possuem o objetivo de identificar e lacrar estabelecimentos que estejam exercendo função não cadastrada para o seu alvará de funcionamento, diminuir a comercialização ilegal de peças usadas e, consequentemente, o número de furtos e roubos de veículos. A quarta operação de 2014 foi deflagrada na manhã de ontem em Bauru e resultou em mais um emparedamento. A polícia, contudo, já percebeu que quem infringe a lei segue em busca de maneiras para driblar a fiscalização.  

 

Malavolta Jr.

Estabelecimento comercial é ‘emparedado’ durante Operação Desmanche, na manhã de ontem

 

A ação ontem, mais uma vez, contou com a participação das polícias Civil, Militar e Científica, além do auxílio da Secretaria da Fazenda, Departamento Estadual de Trânsito (Detran) e Prefeitura de Bauru. Dois estabelecimentos comerciais que trabalham com a venda de peças para motocicletas, localizados no Parque Jaraguá e Vila Ipiranga, foram fiscalizados. Um deles teve as portas bloqueadas e foi emparedado.

 

Porém, apesar de as operações combaterem os locais que possuem irregularidades relacionadas às atividades prestadas ou ao alvará, e a lei ser rigorosa, muitos comerciantes estão tentando driblar a ação da polícia para continuar a vender as peças usadas e não serem autuados. Para isso, segundo o delegado Kleber Granja, da Central de Polícia Judiciária (CPJ), muitos estão alugando galpões ou casas de fachadas. 

 

“Esses comerciantes mantêm as peças novas nos estabelecimentos, mas quando aparece algum cliente, eles fazem um contato pessoal ou telefônico, agendam uma data e comercializam as peças usadas no galpão ou em um local escolhido por eles para burlar a fiscalização e investigação da Polícia Civil”, explicou.

 

Dessa forma, a polícia está trabalhando em investigações para que esses locais usados para driblar a lei sejam identificados. “Estamos atentos a isso e as investigações vão progredir nessa linha. Se for necessário, trabalharemos com  pedidos judiciais para mandados de busca e apreensão nesses locais. Isso será linha de dura investigação da Polícia Civil”, afirmou.

 

4.ª operação

 

Na manhã de ontem, a quarta Operação Desmanche fiscalizou dois estabelecimentos comerciais que trabalham com a venda de peças para motocicletas. De acordo com o delegado Kleber Granja, um deles, localizado no cruzamento da rua Carlos Pereira Bicudo com a quadra 15 da rua Professor Ayrton Busch, Parque Jaraguá, foi emparedado por apresentar irregularidades. Até o fechamento desta edição, a reportagem não conseguiu contato com o proprietário.

 

Já o outro estabelecimento, localizado na quadra 33 da avenida Castelo Branco, Vila Ipiranga, recebeu advertência administrativa por parte do Detran para se adequar na parte de descarte de lixo. 

 

“De modo geral, nesse segundo local, foram encontrados ferrosos, latas e plásticos. O material foi constatado como lixo e não eram peças para revenda tão pouco para remanufaturamento. Contudo, foi feita advertência e uma ata, além do compromisso por parte do comerciante. Na semana que vem, será feita uma fiscalização por parte do Detran para identificar a destinação dessas peças de descarte”, disse o delegado.

 

Orientação

 

Segundo Granja, a recomendação é que os estabelecimentos comerciais fiquem atentos no sentido de dar destinação para o lixo no devido local de recicláveis. “Peças usadas que não vão ser comercializadas e são encaradas como descarte de lixo precisam efetivamente ser destinadas ao descarte, porque tê-las na oficina pode ser sinal característico e prova material de que essa peça será reaproveitada no comércio ilícito”, alertou o delegado Kleber Granja. 

 

O proprietário Paulo Ferreira Leite, que recebeu a advertência pelo descarte de lixo, afirmou que a fiscalização é uma boa ação, mas que não tinha sido orientado em relação ao descarte das peças. “A ação é positiva, porém, não tinha conhecimento quanto ao descarte dessas peças. O que aconteceu é que muitos clientes pedem para eu trocar uma peça, por exemplo. Eu troco pela nova, mas o cliente deixa a antiga na oficina e acabo não descartando. Já repassei para os colegas as orientações. Só espero que a boa investigação chegue nos comerciantes ilegais, porque nunca tive a intenção de revender peças usadas”, disse. 

 

Balanço

 

Das quatros operações, nove estabelecimentos foram lacrados. As duas primeiras foram direcionadas para estabelecimentos de autopeças e as duas últimas para oficinas e lojas que comercializam peças para motos.Segundo Kléber Granja, a de ontem foi a última operação que estava no cronograma e de forma ordinária. Porém, ainda pode haver outras operações surpresas até o final do ano.