10 de julho de 2026
Articulistas

Ainda é possível manter o otimismo realista

Reinaldo Cafeo
| Tempo de leitura: 3 min

O tema deste artigo não é novo, inclusive já escrevi sobre o mesmo, mas parece ser adequado para refletir o atual momento da economia nacional. Tenho debatido a economia nacional com o meio empresarial, com trabalhadores das empresas, também no meio acadêmico e as pessoas (vamos chamá-los de agentes econômicos) têm expectativas de que a condução da política econômica brasileira nos leve a uma trajetória de recuperação.

Tenho externado minha preocupação com o desempenho macroeconômico. Apesar de críticas daqueles que defendem o bem-estar ilusório bancado pelo Estado, entendo que o controle fiscal é à base da recuperação econômica. Esta tese é compartilhada pela maioria dos economistas e aqueles que analisam o ambiente econômico sem traços ideológicos.

Controle fiscal rigoroso não é sinônimo de abrir mão de projetos sociais ou de aplicar recursos na direção da eliminação das desigualdades sociais, é exatamente o contrário. Controlar a gastança pública, eliminando desperdícios, combatendo a corrupção, fiscalizando o bom uso do dinheiro público e ser firme na arrecadação tributária, são garantias de excedentes para fazer face aos investimentos produtivos e ao mesmo tempo ampliar as políticas públicas que auxiliem na melhoria dos indicadores sociais do país.

A lógica é: com rigor na arrecadação, com menor gasto na sustentação da máquina pública, haverá sobras que permitam ampliar a participação do Estado no investimento produtivo e ainda permitir espaços orçamentários para melhoria dos indicadores sociais. No vácuo do rigor fiscal, o controle inflacionário seria mais fácil, pois haveria ampliação da oferta (via investimentos), e não seriam necessárias ações no controle da demanda (segurando o consumidor), prática atual, principalmente com uso da política monetária, neste particular, com elevação dos juros básicos da economia. Com estas variáveis sob controle, o mercado cambial se acalma, e fica mais fácil fechar as contas internacionais.

Medidas nestas direções, entre outras ações firmes no controle da economia, permitiriam a retomada da confiança dos agentes econômicos, portanto, confirmariam o chamado otimismo realista. O otimismo vem do fato em acreditar no potencial da economia nacional, portanto, com uma boa sinalização na retomado do controle da política econômica, o mercado reagirá positivamente, e o realismo vem do fato de que as coisas não estão boas e precisam de ações firmes.

O que está mais que evidenciado é que não é possível aceitar que um país na dimensão do Brasil, com o potencial econômico existente, com a determinação em produzir e gerar riqueza patine, não encontre o caminho seguro do crescimento econômico, com controle da inflação, que permitam atingir o desenvolvimento econômico.

Se havia dúvidas se o atual governo fecharia os olhos a esta realidade, está mais que evidente que a escolha de Joaquim Levy e nova equipe econômica, por tudo que já demonstraram, confirma que o caminho a ser trilhado será diferente do adotado até agora. É possível sim ser otimista, mas com os pés no chão, sabedores que há um muito a ser feito e que às vezes um recuo estratégico permite ali na frente avanços importantes.

O autor é economista e articulista do JC