08 de julho de 2026
Geral

91% mais nascimentos do que óbitos

Marcele Tonelli
| Tempo de leitura: 4 min

Dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) divulgados nesta semana apontam que o número de nascimentos em Bauru é 91% maior em relação aos óbitos. Contudo, há uma forte tendência, registrada ao longo dos anos, de queda na taxa de natalidade.

 

Vale lembrar que, desde 2005, Bauru registrava consecutivas quedas neste índice, que voltou a apresentar aumentos consideráveis a partir de 2012.

 

Para fins comparativos, 4.847 é o total de nascimentos contabilizados no ano passado, quando Bauru possuía 362 mil habitantes. O número, no entanto, é quase o mesmo que os 4.897 registrados em 2004, quando o número de habitantes na cidade era bem menor (veja mais no quadro ao lado). 

 

Já o total de óbitos , por sua vez, apesar de também ter registrado quedas sensíveis durante alguns anos específicos, apresentou crescimento médio de até 19%, no período acumulado de dez anos (2003 a 2013). Se a mesma conta for feita em relação aos nascimentos, o crescimento obtido é de apenas 2,7%.

 

O estudo do IBGE também revela o número de divórcios e de casamentos na cidade, com destaque para a divulgação inédita dos dados de casamentos entre homossexuais em Bauru (leia mais abaixo).

 

Expectativa

 

Em reportagem publicada no ano passado, o JC antecipava que o número de nascimentos já vinha demonstrando queda em relação ao número de óbitos nos últimos anos. Na ocasião, o próprio IBGE, confirmou a expectativa de que, entre os anos de 2039 e 2040, o número de mortes no País deve se igualar e, em seguida, ultrapassar o de nascimentos.

 

O antropólogo bauruense Claudio Bertolli frisa que este processo já é realidade em países desenvolvidos desde o início do século 20, especialmente por conta dos avanços da medicina, da química e da bioquímica. “A pílula anticoncepcional trouxe o controle individual da natalidade aos casais, mas isso se disseminou no Brasil somente depois dos anos 80. Ter mais de dois filhos hoje é quase uma ‘aberração’”, pontua Bertolli, que também é professor da Unesp.

 

Ele acrescenta que a previdência social também foi um dos motivos para a redução das famílias. “Antigamente, não havia aposentadoria e pensão, por exemplo, então os casais tinham mais filhos até como garantia de uma velhice mais tranquila”, pontua o antropólogo.

 

Programado

 

Com isso, famílias como a da professora Ana Paula Dias, 32 anos, e do empresário Allison Carlos, 35 anos, serão cada vez mais comuns. Após dois anos de casados, eles decidiram se programar para ter o primeiro filho. Gabriel Dias Talom nasceu em 17 de novembro deste ano, em um hospital particular da cidade.

 

“Comecei a me preparar para engravidar em outubro do ano passado. Fiz uma bateria de exames e, em seguida, já comecei a tomar ácido fólico pra auxiliar a gestação”, detalha Ana Paula. 

 

Daqui a um ano, o casal deve se preparar para o segundo filho. “Queremos uma companhia pra ele, mas a ideia é parar no segundo. Três, hoje, é loucura!”, brinca.

 

NA MATERNIDADE

 

Diretor clínico na maternidade Santa Isabel, o obstetra Douglas Aprobato Simões, aponta que somente de janeiro a novembro, a unidade realizou 3.023 partos. Uma média oito partos por dia. “O número de partos se mantêm numa estabilidade, mas o que temos observado, especificamente na maternidade, é que o número de gestantes adolescentes vem aumentando e que muitas mães ainda não se programam, seja para ter o primeiro ou segundo filho”.

 

Descompasso

 

O antropólogo Claudio Bertolli acredita, no entanto, que o levantamento do IBGE revela, na verdade, um descompasso no desenvolvimento não só da cidade, mas do Brasil. “Não há o que comemorar, estamos muito atrás, a expectativa de vida no Brasil ainda é muito baixa. Temos um País moderno, que consome tecnologia, mas que está muito aquém das políticas sociais”, comenta o professor, referindo-se à exclusão social, à decadência da educação pública como um todo, ao desrespeito às etnias e ao crescimento da violência.

 

Casamento homoafetivo representa 0,62% das uniões no município

 

Os dados divulgados pelo IBGE, anteontem, também trazem estatísticas sobre o número de casamentos e divórcios na cidade. Contabilizados pela primeira vez, os casamentos homoafetivos, sejam de homens ou de mulheres, somaram 0,62%, ou seja, 17, num universo de 2.708 casamentos.

 

Vale lembrar que a apuração ocorre após a publicação da resolução 175 do CNJ, em maio do ano passado, que obrigou os cartórios a realizarem casamento civil entre pessoas do mesmo sexo e também a converter a união estável de gays e lésbicas em casamento. Antes, os cartórios poderiam conceder a negativa.

 

Os números colocam Bauru como a 27.ª cidade do Brasil em união entre homens e a 33.ª de casamentos entre mulheres.

 

O estudo também aponta que o número de divórcios caiu nos últimos dois anos, de 1.018 registrados em 2001, para 922 em 2012 e 595 em 2013, respectivamente. A média, no entanto, revela que um casal ainda se divorcia por dia na cidade.